sexta-feira, 26 de maio de 2017

ATO DE FORÇA ENFRAQUECE MICHEL TEMER

Entre a noite de quarta-feira (24) e a manhã de quinta-feira (25), o presidente Michel Temer assinou e revogou um decreto que, na prática, colocava as Forças Armadas para fazer o papel de polícia nas ruas de Brasília. Num período de cerca de 12 horas, Temer tomou uma atitude de forte impacto e recuou. Sua segunda decisão foi sensata. Na política, no entanto, o recuo não necessariamente conserta a situação. A ida e a volta são lidos como sinais explícitos da fraqueza de Temer no momento em que sua capacidade de permanecer no cargo diminui a cada dia.
Exército em guarda em frente a ministérios na Esplanada dos Ministérios em Brasilia (Foto: Adriano Machado/ÉPOCA)
Temer justificou a decisão como uma resposta a um pedido feito pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM, para reforçar a segurança durante os protestos violentos na Esplanada dos Ministérios na tarde de quarta-feira. Mas, pressionado pela péssima repercussão, Maia divulgou o ofício que enviara a Temer: ele pedia reforço da Força Nacional, uma tropa formada por policiais militares, não das Forças Armadas, integradas por Exército, Marinha e Aeronáutica. Há um oceano de distância entre as duas. Ficou péssimo para Temer

ATÉ CAIPIRINHA DE 32 REAIS A CÂMARA DOS DEPUTADOS PAGA

Arthur Maia (Foto: Beto Oliveira/Câmara dos Deputados)
Em fevereiro, poucos dias após ter sido escolhido para a estressante função de relator da reforma da Previdência na Câmara, o deputado federal Arthur Maia (PPS-BA) deu uma pausa na agenda atribulada e aproveitou um elegante restaurante paulistano. Durante a sua permanência no local, degustou uma caipirinha de vodca russa. Preço: R$ 32. Tudo estaria bem se Maia não tivesse repassado a fatura para a Câmara dos Deputados, que ressarciu o parlamentar rapidamente.
Não foi a primeira vez que Maia usou dinheiro público com bebidas alcoólicas. Em prestações de contas anteriores, é possível verificar o consumo de cervejas pelo relator.
Nota fiscal de caipirinha comprada pelo deputado Arthur Maia. Gasto foi reembolsado pela Câmara. (Foto: Reprodução )

AS INVESTIGAÇÕES CONTRA MICHEL TEMER

Passava das 22h30 de uma terça-­feira, 7 de março, quando o bilionário empresário Joesley Batista, do grupo que comanda a JBS, chegava dirigindo o próprio carro ao Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência da República em Brasília. O cenário perfeito para um encontro secreto, sem registro em agenda e sem testemunhas. Os seguranças permitiram a entrada ao identificar o veículo do empresário. “Boa noite. Então, ele pediu pra parar na garagem”, avisou Joesley. Ele, no caso, era uma referência ao ilustre morador do palácio: o presidente Michel Temer (PMDB), que receberia naquele momento o empresário, munido de um gravador em seu bolso, para uma conversa de meia hora sobre temas nada republicanos. Joesley entregou o áudio do diálogo aos investigadores da Operação Lava Jato como aperitivo para sua delação premiada. Ele também faz graves acusações de corrupção e narra pagamentos de propina para personalidades políticas dos mais diversos partidos: os ex-presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff; o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE); Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP); além de outros parlamentares, governadores e ex-detentores de mandatos. No total, Joesley contou aos procuradores ter pago R$ 400 milhões em propina nos últimos anos, entre pagamentos oficiais e caixa dois. Os montantes acompanharam o crescimento da empresa, que se tornou a maior doadora de campanhas no Brasil. A delação agora revela que o grupo J&F comprou integrantes do Poder Executivo, avançou sobre o Legislativo e tentou até mesmo manter influência no Judiciário. Nem mesmo o Ministério Público Federal escapou: Joesley subornou um procurador que o investigava

ADVOGADOS DE AÉCIO VÃO AO SUPREMO REVERTER DECISÃO

Aécio Neves  (Foto: Jorge William / Agência O Globo)
Os advogados Carlos Velloso, Aristides Junqueira, José Eduardo Alckmin e Alberto Zacharias Toron têm audiência na manhã desta sexta-feira (26) com o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). O quarteto defende o senador tucano Aécio Neves, acusado de receber propina da J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Fachin também receberá hoje outros advogados constituídos por pessoas investigadas no mais recente desdobramento da Lava Jato, caso do criminalista Marcelo Leonardo, que defende Andrea Neves, irmã de Aécio

JBS OFERECE 8 BILHÕES PARA FECHAR ACORDO DE LENIÊNCIA

Joesley Batista empresário (Foto:  Danilo Verpa/Folhapress)
O grupo J&F, do empresário Joesley Batista, ofereceu R$ 8 bilhões ao Ministério Público Federal para fechar um acordo de leniência. Os procuradores ainda não responderam se aceitarão a proposta. Os valores pretendidos pela J&F e pelos procuradores divergiam bastante. Inicialmente, o MP queria R$ 11 bilhões. O grupo, na ocasião, ofereceu R$ 1 bilhão. Com o avanço das negociações, a J&F subiu a proposta para R$ 1,4 bilhão e, depois, para R$ 4 bilhões. O MP também recusou. Na empresa, o valor mais recente oferecido ao Ministério Público Federal foi tachado de oferta final. “Mais que isso não dá para pagar. Inviabiliza o negócio”, afirma um dos executivos da empresa. Os procuradores que estão no caso analisam a proposta detidamente. Temem deixar a impressão de estarem sendo generosos com a empresa e seus donos

MULHER DE EDUARDO CUNHA É RÉ EM AÇÃO DE IMPROBIDADE

Claudia Cruz esposa do ex deputado Eduardo Cunha (Foto:  DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO)
Nesta quinta-feira (25), o juiz Sergio Moro absolveu Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado da Câmara Eduardo Cunha, dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A defesa argumentou que o dinheiro utilizado por ela era da responsabilidade do marido – e não dela. Cláudia, no entanto, ainda é ré num processo de improbidade administrativa. A Lava Jato encontrou R$ 4,4 milhões em suas contas. A defesa de Cláudia pedira a suspensão da ação, mas o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou o pedido