Neymar comemora no estádio Maracanã durante final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha, no Rio de Janeiro - Ivan Pacheco
Os jogadores da Espanha assistiram à festa do banco de reservas, acenando para a torcida quando eram mostrados nos telões (e vaiados pelos brasileiros)
A festa de encerramento de um torneio marcado pelas manifestações do lado de fora dos estádios teve um protesto também no gramado do Maracanã. A breve e simples cerimônia, iniciada pontualmente às 17h25 deste domingo, transcorria dentro do esperado quando dois voluntários que participavam das coreografias no campo se desgarraram do grupo e tentaram estender uma faixa escondida sob seus adereços, que imitavam bolas de futebol. Um coordenador do espetáculo correu na direção da dupla e precisou se enroscar com os manifestantes para arrancar a faixa de suas mãos. A mensagem condenava a privatização do Maracanã. Em seguida, num momento absolutamente inusitado, os voluntários, já sem a faixa, retornaram para a formação no gramado como se nada tivesse acontecido. Depois, pelo menos um deles foi retirado pelos organizadores.
O protesto na cerimônia de encerramento
Na saída do campo, outra cena curiosa: outra "bolinha" da coreografia, uma mulher, passou mal e foi carregada por dois seguranças. Nos momentos que antecederam o episódio, os cantores Arlindo Cruz, Victor e Leo, Jorge Ben Jor e Ivete Sangalo se apresentaram, cantando sozinhos. O breve protesto ocorreu no momento em que a bateria da escola de samba Grande Rio entrava no Maracanã, enquanto os cinco artistas convidados se juntavam à apresentação. Duplas de mestre-sala e porta-bandeira carregaram os pavilhões de Brasil e Espanha. Enquanto a cerimônia acontecia, os atletas da seleção brasileira desciam do ônibus rumo aos vestiários, despertando a animação da torcida. Os jogadores da Espanha assistiram à festa do banco de reservas, acenando para a torcida quando eram mostrados nos telões (e vaiados pelos brasileiros)
A reforma política feita por meio de um plebiscito é temerária e de "difícil exequibilidade", diz o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Para ele, a presidente Dilma Rousseff deveria ter se precavido e ouvido previamente mais os chefes dos outros Poderes e os líderes políticos antes de ter lançado a ideia.
"Acredito até que isso evitasse alguns equívocos na própria abordagem das propostas", afirma Gilmar em entrevista ao "Poder e Política", programa da Folha e do UOL. Um "erro rotundo, extremamente grave" já foi abortado --a proposta de convocar uma Constituinte exclusiva.
Mas o plebiscito continua com formatação obscura. "Tenho dúvida sobre que perguntas serão dirigidas à população, que terá de decidir sobre temas que têm perfil bastante técnico. Por exemplo: vai se adotar no Brasil o sistema alemão misto distrital e proporcional...? A população saberá distinguir?", indaga Gilmar.
O passo seguinte também é incerto: "Quando essa resposta vier, o Congresso vai executar como?". Teria sido apropriado se Dilma Rousseff tivesse ouvido previamente mais pessoas. "Talvez fosse o caso de ter chamado o presidente da Câmara, do Senado, do Supremo, do TSE, as lideranças partidárias para dizer: nós precisamos priorizar a reforma política. Nós precisamos fazer uma agenda com esse foco".
Para o ministro, alguns itens da reforma política podem ser tratados por meio de lei, sem alteração da Constituição. Teria de ser, entretanto, uma reforma gradual. "Quando se diz 'ah! Agora nós vamos reformar o mundo de uma vez por todas', a gente já começa a errar".
Uma cláusula de desempenho eleitoral para os partidos políticos, regras de democratização interna das siglas e uma lei que comece a valer mais adiante para criar novas agremiações são dispositivos que podem ser feitos a partir de lei e não dependem de plebiscito nem de alteração constitucional.
Mas o Congresso tem disposição para votar projetos assim? "Falar que o Congresso está em débito tem de ser visto 'cum grano salis' [ponderação]. Muitas vezes, essa omissão decorre da falta de articulação por parte do próprio Executivo --que tem o mais amplo apoio que já se formou nesses últimos anos", responde Gilmar.
Sobre como o Poder Judiciário deve responder aos protestos de rua, Gilmar cita a "tardança" no trâmite de processos. Mas isso, diz ele, já está mudando. Cita o caso da prisão do deputado federal Natan Donadon (ex-PMDB-RO), decretada na semana passada pelo STF.
Esse caso terá impacto na execução das penas dos condenados no processo do mensalão. Gilmar fala em finalizar o processo ainda neste ano, e não em 2014 ou 2015, como já disse outro colega seu do Supremo, o ministro Dias Toffoli.
A cerimônia de encerramento da Copa das Confederações teve protestos não apenas do lado de fora do Maracanã, mas também no gramado do estádio. Neste domingo (30), já na parte final da apresentação que antecede ao jogo entre Brasil e Espanha, dois dos dançarinos tentaram mostrar uma faixa de protesto, mas rapidamente os seguranças conseguiram arrancar o pano da mão deles. Mesmo assim, deu tempo de ler a mensagem: "Imediata anulação da privatização do Maracanã". A cerimônia ocorria sem incidentes até aquele momento. Quatro artistas se apresentaram, cada um em cada canto do gramado do Maracanã: Arlindo Cruz, Victor & Léo, Jorge Ben Jor e Ivete Sangalo, enquanto os figurantes faziam movimentos sincronizados. Os voluntários usavam uma fantasia que sugeria uma bola, como se fossem "joaninhas" nas cores preto e branca. Depois, entrou em campo a bateria da escola de samba Grande Rio, com os artistas indo ao centro do gramado para cantar País Tropical, acompanhados dos percursionistas. Quando a apresentação terminou, dois dançarinos levantaram a fantasia que carregavam nas costas, em formato de bola, e passaram a exibir uma faixa, azul marinho com dizeres em verde. Rapidamente, porém, seguranças entraram no gramado para arrancar a faixa das mãos deles. Uma das dançarinas ainda tentou incitar a torcida, mas não encontrou correspondência e voltou a fazer o seu papel, agachada no campo, dentro da fantasia de bola. Enquanto isso, os jogadores da seleção espanhola acompanharam tudo do banco de reservas, antes da preparação final para o jogo contra o Brasil, marcado para começar às 19 horas
O ex-presidente Lula faz discurso em evento sobre segurança alimentar na ÁfricaDIVULGAÇÃO / INSTITUTO LULA
SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou neste domingo o comportamento de sua sucessora, Dilma Rousseff, diante das manifestações que tomaram as ruas do país nas últimas semanas. Para o petista, os protestos são consequência do que foi feito nos últimos 10 anos e que “feliz é o pais que tem um povo com liberdade de se manifestar e ainda mais feliz é um pais que tem um povo que vai às ruas querendo mais”.
— A presidenta Dilma tem tido um comportamento extraordinário. Em nenhum momento fez qualquer crítica aos manifestantes, a não ser a um outro grupo menor que de vez em quando quebra alguma coisa. Ela tem sido solidária àqueles que pacificamente vão às ruas reivindicar melhores condições de tudo que o povo tem direito —disse o ex-presidente, durante discurso em evento sobre segurança alimentar realizado pela União Africana, pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pelo Instituto Lula, em Adis Abeba, capital da Etiópia.
Para Lula, o povo que se manifesta quer "mais participação e melhores serviços públicos" como consequência da mudanças que os governos dele e de Dilma implantaram no país.
— Isso é resultado do que foi feito nesses 10 anos.
O ex-presidente classificou o momento como “importante” e disse que numa democracia a sociedade deve estar em movimento e não em silêncio.
— Feliz é o pais que tem um povo que tem liberdade de se manifestar. E mais feliz ainda é um pais que tem um povo que vai as ruas querendo mais.
Na avaliação de Lula, todas as reivindicações são legítimas.
— As pessoas querem mais no Brasil: melhor transporte, melhor saúde, mais salário, querem questionar o custo da Copa do Mundo. Acho que isso é saudável em um pais que vive só pouco mais de 20 e poucos anos de democracia contínua
Marina Silva sobre para 23% das intenções de votos, hoje
Foto: DIV
A presidente Dilma Rousseff teria de enfrentar um segundo turno na disputa por um segundo mandato se as eleições presidenciais fossem neste sábado (26), segundo pesquisa Datafolha realizada na última quinta e sexta-feira com 4.717 pessoas em 196 cidades. A intenção de voto na presidente Dilma caiu até 21 pontos porcentuais, informa o jornal Folha de S.Paulo em sua edição dominical. Ainda assim, a presidente lidera a disputa pelo Palácio do Planalto em 2014, embora seja a pré-candidata que mais perdeu apoio na corrida presidencial, diz o jornal.
Em cenário que inclui Dilma (PT), Marina Silva (Rede), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) na disputa do próximo ano, as intenções de voto na atual presidente caíram de 51% em pesquisa realizada no começo deste mês para 30%. Esse também é o porcentual de aprovação de seu governo apurado em pesquisa realizada pelo Datafolha divulgada neste sábado, com queda de 27 pontos porcentuais na comparação com pesquisa anterior.
Nesse mesmo cenário, Marina Silva subiu de 16% para 23% das intenções de voto, Aécio Neves passou de 14% para 17% e Campos teve alta modesta de 6% para 7%. Nessa hipótese, haveria segundo turno entre Dilma e Marina Silva.
Plebiscito
A pesquisa Datafolha mostra ainda que 68% dos entrevistados apoiam a ideia de um plebiscito para consultar a população sobre questões ligadas à reforma política. Outros 19% disseram que Dilma agiu mal ao propor a ideia, e 14% não souberam responder.
O instituto diz ainda que 73% dos pesquisados são favoráveis à criação de uma constituinte para elaborar uma reforma política. Sobre esse tema, 15% mostraram-se contrários à proposta.
Economia
O Datafolha também avaliou a expectativa dos entrevistados em relação à inflação: 54% acham que o índice vá aumentar. No último levantamento, 51% afirmaram acreditar no aumento. Para 44% o desemprego vai crescer, enquanto na pesquisa anterior o índice era de 36%. Segundo o instituto, 38% acreditam que o poder de compra do salário vai cair, aumento de 11 pontos percentuais em relação ao último levantamento
SÃO PAULO - O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, provável presidenciável tucano em 2014 disse, em nota divulgada neste sábado, 29, que a queda de 27 pontos porcentuais da popularidade de Dilma Rousseff revela não apenas uma insatisfação da população com relação à presidente, mas com a classe política como um todo".
A pesquisa Datafolha registrou que avaliação positiva do governo Dilma caiu de 57% para 30% em três semanas, depois da onda de protestos que tomou conta do País.
"As pesquisas indicam o que os protestos que mobilizam o País já mostravam: uma insatisfação dos brasileiros que, acredito, não seja apenas com relação à presidente Dilma, mas com a classe política como um todo, em razão da ausência de respostas efetivas aos problemas enfrentados pelas pessoas", afirmou o tucano por meio de nota.
A pesquisa revelou também que o porcentual de brasileiros que consideram o governo ruim ou péssimo subiu de 9% para 25%.
"São déficits acumulados ao longo de anos. Cabe a todos nós analisarmos com humildade e responsabilidade esse importante recado", disse.
O Datafolha que ouviu 4.717 pessoas em 196 cidades entre a quinta-feira, 27. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos