terça-feira, 2 de setembro de 2014

PRAESIDENCIAVEIS TÊM UM MÊS PARA CONVENCER ELEITORES

Sete dos 11 presidenciáveis participaram do debate televisivo ontem: propostas e discursos confrontados pelos rivais  (Marlene Bergamo/Folhapress)
Sete dos 11 presidenciáveis participaram do debate televisivo ontem: propostas e discursos confrontados pelos rivais


Daqui a exatos 30 dias, estará encerrada a propaganda eleitoral gratuita de primeiro turno para as eleições presidenciais. Depois do debate no SBT ontem, ainda estão previstos pelo menos três encontros entre os principais postulantes ao Palácio do Planalto: em 16 de setembro, na Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); em 28 de setembro, na Rede Record e, fechando a campanha, o debate da TV Globo, em 2 de outubro.

Na televisão, serão 14 dias de propaganda dos candidatos à Presidência, distribuídos em duas inserções diárias às terças, às quintas e aos sábados até 2 de outubro, a partir de quando esse tipo de propaganda estará proibida. Ao longo desse período, Dilma Rousseff (PT) terá aproximadamente cinco horas e meia para falar aos eleitores; Aécio Neves (PSDB), duas horas e vinte minutos; e Marina Silva (PSB), 56 minutos.

A mudança ocorrida nas últimas semanas, após a morte do candidato do PSB, Eduardo Campos, e a respectiva substituição por Marina deu uma nova dinâmica ao processo eleitoral. A ex-ministra do Meio Ambiente, cada vez mais, tende a se tornar “vidraça”, sendo questionada pelos principais opositores — a exemplo do que ocorreu no debate de ontem.

As pressões virão pelas redes sociais e pelas propagandas no rádio e na televisão. Tanto Dilma quanto Aécio insistirão na tese de que Marina não tem preparo para exercer a Presidência, e que será um risco entregar o país nas mãos de uma candidata que, além de não ter exercido cargos Executivos eletivos, defende a possibilidade de candidaturas sem partidos políticos, o que poderia ser um flerte com o autoritarismo.

Dilma tentará mostrar que, com a economia mundial ainda em crise, seria um risco mudar o timoneiro e abandonar um projeto que tem dado conta do país ao longo dos últimos 12 anos, promovendo a inclusão e mantendo os empregos. Aécio tem um mês para convencer os eleitores de que ele representa a mudança com segurança. Para isso, reforçará o discurso do PSDB como um partido responsável pela estabilidade econômica e por dar início aos programas sociais que acabaram unificados durante o governo do PT, especialmente de Lula, materializados no Bolsa Família.Marina, por sua vez, insistirá na tese de renovação, da nova política e da possibilidade de que, caso eleita, consiga implantar uma outra dinâmica para governar o país

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CANDIDATOS A PRESIDÊNCIA VÃO AO SEGUNDO DEBATE

Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves
Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves (Reuters/EFE//Estadão Conteúdo)
Os três principais candidatos ao Planalto se encontram nesta segunda-feira pela primeira vez desde que a candidata do PSB, Marina Silva, apareceu empatada com a presidente Dilma Rousseff (PT) em primeiro lugar, com 34% das intenções de voto, em pesquisa Datafolha. Se no primeiro debate entre os presidenciáveis Dilma e Aécio Neves (PSDB) polarizaram as discussões, desta vez o alvo de ambos deve ser Marina – a petista e o tucano, afinal, passaram a atacar abertamente a postulante do PSB, o que vinham evitando fazer.
O encontro, promovido pelo SBT em parceria com Folha de S. Paulo, UOL e rádio Jovem Pan, começa às 17h45. No primeiro debate, promovido pela Rede Bandeirantes na última terça-feira, Dilma e Aécio ainda estudavam quem criticaria primeiro – e como criticariam – a nova adversária. Mas não foi preciso: insuflada pelos números da pesquisa Ibope, divulgada horas antes, foi Marina quem assumiu a artilharia mais pesada e sempre direcionada aos dois rivais simultaneamente. Foram diversas frases, como: "A relação de vocês, PT e PSDB, aparta o Brasil". Ou: "Essa polarização já deu o que tinha que dar" e "nos governos do PT e do PSDB, cada um tem um apagão para chamar de seu

NO RIO AÉCIO DIZ QUE DILMA JÁ PERDEU

aecio-zico
(Daniel Haidar - VEJA.com/VEJA)
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou neste domingo que Dilma Rousseff, a candidata do PT à reeleição, já perdeu a disputa pelo Palácio do Planalto. "O atual governo fracassou. Essa é a questão central. E não vencerá as eleições o grupo que está hoje no poder", disse o mineiro, pouco antes do  jogo de futebol organizado por Zico com celebridades e ex-atletas na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, do qual tomou parte.
Aécio também fez críticas a Marina Silva (PSB), hoje empatada com Dilma na disputa pela presidência. “Vejo na proposta do PSB um número muito grande de contradições em relação ao que se propõe hoje e o que se praticou no passado em todas as áreas”, disse Aécio, que respondia à provocação do vice de Marina, Beto Albuquerque (PSB), para quem os tucanos precisavam apresentar um plano de governo antes de criticar os adversários. 
O tucano conclamou ainda a adversária do PSB a apresentar o que pensa para a política externa e programas de transferência de renda. Aécio voltou a dizer que o PSB defende “as mesmas posições” que o PSDB defendeu historicamente para a economia. “Agora Marina terá oportunidade de externar suas propostas. Boas intenções todas as candidaturas trazem, mas é importante termos algo mais do que isso para que o Brasil não viva uma nova frustração como a de hoje”, criticou.
Marina apareceu empatada na última pesquisa Datafolha com a presidente-candidata Dilma Rousseff, ambas com 34% das intenções de voto, enquanto Aécio registrou 15% das preferências

PMDB AVALIA APOIO A MARINA SILVA

Marina Silva: na mira do PMDB
Marina Silva: na mira do PMDB (Alfredo Risk/Futura Press)
As chances efetivas de vitória de Marina Silva na eleição presidencial já levam a ala do PMDB que apoia a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) a dar como certa a adesão da legenda a um eventual governo dela. A avaliação desse grupo é a de que as chances de recuperação do tucano são difíceis e a perspectiva de poder hoje está com Marina. Isso faz com que a histórica divisão do PMDB ganhe novos contornos. Se antes da campanha o debate era levar ou não o partido a apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, agora ele começa a se dar entre compor ou não com Marina e o momento em que essa sinalização deve ser feita.
A cúpula peemedebista, responsável pelo apoio pró-Dilma e que tem em Michel Temer, Renan Calheiros e José Sarney seus expoentes, quer colocar a máquina do partido para derrotar Marina no 2º turno. Em caso de vitória da candidata do PSB, esse grupo fala em dar os tradicionais 100 primeiros dias de trégua ao seu governo para, nesse período, aguardar os sinais da ex-ministra. Prevê, porém, uma relação hostil. Justamente por onde a outra ala planeja crescer. Geddel Vieira Lima, candidato ao Senado pela Bahia, tem interesse em liderar esse movimento.

SINDICATOS DOMINAM OS LEGISLATIVOS


Wasny é um dos representantes dos professores na Câmara Legislativa  (Breno Fortes/CB/D.A Press)
Wasny é um dos representantes dos professores na Câmara Legislativa

Representantes de categorias profissionais, os sindicatos e as associações têm como função defender os interesses comuns dos trabalhadores. Formados por pessoas da mesma profissão, mas não necessariamente da mesma corrente ideológica, eles se dizem apartidários. Geralmente, porém, as entidades fazem campanha velada para um ou mais candidatos, a fim de ter representatividade no parlamento e influência num futuro governo. São vários os exemplos de políticos de Brasília que iniciaram a carreira e conquistaram votos a partir da força dos profissionais organizados.

Nesta eleição, as três principais entidades médicas do Brasil — Federação Nacional dos Médicos, Associação Médica do Brasil e Conselho Regional de Medicina — decidiram lançar, em todas as unidades da Federação, candidatos que sejam integrantes dos sindicatos da profissão. No terceiro mandato como presidente do Sindicato dos Médicos de Brasília, Marcos Gutemberg (PSB) se licenciou do cargo para concorrer a deputado distrital. Ele explica a estratégia nacional, que pretende formar uma bancada forte nos parlamentos estaduais e federal. “Nossa categoria precisa ter presença, voz e voto nas assembleias e no Congresso Nacional”, afirma.

Esta é a primeira vez que as entidades definem uma estratégia eleitoral. Gutemberg espera que os postulantes aos parlamentos sejam eleitos, pois afirma que faltam pessoas da área da saúde na política. “É importante termos representatividade para ajudarmos na implementação das políticas públicas na área”, ressalta. Além de brigar por melhorias no Sistema Único de Saúde (SUS), o objetivo dos desses profissionais na política é sugerir leis que qualifiquem os planos de saúde privados. “O SUS está capenga e todo mundo sabe disso. Mas o sistema pago também é ruim”, critica. Para deputado federal, a categoria faz campanha para a Doutora Quitéria (PSDB). Jorge Vianna (PSD) foi presidente do Sindicato dos dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem e sonha com a Câmara Legislativa.

INDEFINIÇÕES ATRAPALHA CAMPANHA DE MARINA


 (Arte/CB/D.A Press)


Passadas duas semanas desde o início do horário eleitoral e após o primeiro debate televisivo — o segundo será na tarde de hoje —, os três principais presidenciáveis ainda escorregam, em níveis variáveis, nos discursos e nas promessas feitas aos eleitores nos campos econômico, político e social. Marina Silva (PSB) é a que mais sofre para adequar o discurso. Caiu em contradição, por exemplo, menos de 24 horas após lançar o programa de governo socialista. Na sexta, ela anunciou políticas amplas para favorecer o público homossexual. No dia seguinte, pressionada por lideranças evangélicas, como o pastor Silas Malafaia, que bateu nela duramente, recuou. E irritou os ativistas gays e os defensores da existência de um Estado rigorosamente laico. Marina, na tentativa de contornar a polêmica, disse que o texto lançado “não era o que havia sido acordado” — a justificativa, além de não evitar o desgaste, expõe como a trajetória dela na campanha eleitoral está recheada de idas, vindas, recuos e adequações pontuais ou meramente eleitorais.

Roberto Romano, professor titular de Ética e Filosofia Política da Universidade de Campinas (Unicamp), analisa que a candidata socialista está rearrumando o discurso em vários sentidos. Mas identifica uma fragilidade maior: a necessidade de composição partidária num eventual governo do PSB. “Eu espero que, se for eleita, ela consiga efetivar um governo que não fique ilhado, como aconteceu com Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello”, comenta.