quinta-feira, 27 de agosto de 2015

ZÉ DIRCEU VAI DEPOR NA CPI DA PETROBRÁS

José Dirceu é visto dentro do carro da polícia federal enquanto é transferido para Curitiba - 04/08/2015
José Dirceu: depoimento à CPI em Curitiba(Marcello Casal/Agencia Brasil/Handout/Reuters)
A CPI da Petrobras aprovou nesta quinta-feira requerimento para ouvir o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso em 3 de agosto na 17ª fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal. O colegiado aprovou ainda as convocações de Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht, do ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Zelada e de outras três pessoas.
A votação das convocações já estava acordada entre os membros da CPI: na sessão de terça-feira os parlamentares avisaram que ouviriam Dirceu durante viagem a Curitiba na semana que vem. Os deputados ficarão na capital paranaense entre segunda e quinta-feira.
LEIA TAMBÉM:
Ao longo de mais de 500 dias da Operação Lava Jato, os indícios de participação de José Dirceu no esquema são vastos. A exemplo do deputado cassado Pedro Correa, mensaleiro como ele e também detido na Lava Jato, Dirceu foi apontado como destinatário de polpudas propinas pagas por empreiteiros ao longo de anos. Os favores entre os gigantes da construção e o ex-ministro eram camuflados, segundo o Ministério Público, em contratos falsos de consultoria por meio da empresa JD Consultoria e Assessoria, criada para simular a prestação de serviços de prospecção de negócios, e que tinha como sócio o irmão de Dirceu.
Cinco gigantes da construção civil que integram o já notório Clube do Bilhão desembolsaram, no período de 2006 a 2013, pelo menos 8 milhões de reais para a JD Consultoria. Os valores são ainda maiores se somadas outras empreiteiras também citadas no escândalo do petrolão, como a Egesa, que transferiu sozinha 480.000 reais, e a Serveng, que liberou 432.000 reais para a JD. relação entre José Dirceu e os financiadores do esquema do petrolão não para por aí: José Dirceu teve até um imóvel da filha em São Paulo pago pelo lobista Milton Pascowitch.
A já complicada situação de José Dirceu se deteriorou ainda mais depois que os ex-companheiros do petista, que por anos o abasteceram com dinheiro, acabaram como delatores do petrolão e reforçaram os indícios de participação do petista no esquema que fraudou mais de 6 bilhões de reais em contratos.
Além de Pascowitch ter apontado o caminho que levou à prisão do ex-ministro, outros depoimentos sobre os tentáculos do PT não deixam de ser menos espantosos: o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco estimou que o PT recebeu até 200 milhões de dólares em dinheiro sujo do esquema, enquanto o ex-vice-presidente comercial da gigante Camargo Corrêa, Eduardo Leite, afirmou às autoridades que a empresa pagou 63 milhões de reais para a diretoria de Serviços, então comandada por Renato Duque, aliado de Dirceu, e outros 47 milhões de reais para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras

FENANDO BAIANO O NOVO DELATOR DA LAVA JATO

Fernando Soares, o Fernando Baiano, durante a CPI da Petrobras na sede Justiça Federal Curitiba (PR) - 11/05/2015
Fernando Soares, o Fernando Baiano, durante a CPI da Petrobras na sede Justiça Federal Curitiba (PR) - 11/05/2015
O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como o operador do PMDB no escândalo do petrolão, é o "novo delator" citado pelo doleiro Alberto Youssef, que esclarecerá a doação de 2 milhões de reais para a campanha de Dilma Rousseff em 2010, segundo edição desta quinta-feira do jornal O Estado de S. Paulo. Youssef fez a afirmação em acareação na CPI da Petrobras na terça-feira, em que ficou frente a frente com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, para esclarecer as divergências encontradas em seus depoimentos de delação premiada.

INDUSTRIA AUTOMOBILISTICA EM QUEDA

MONTADORA_Comunicação-Volkswagen-do-Brasil_483x303.jpg
Sem sinais de recuperação no mercado e com altos estoques, mais um grupo de montadoras anuncia cortes de produção em setembro. Pelo menos 15,6 mil trabalhadores terão férias forçadas no próximo mês.

Além de férias, novos programas de lay-off (suspensão de contratos por até cinco meses) estão sendo anunciados. A fabricante de caminhões Iveco colocará em lay-off 300 trabalhadores da linha de caminhões pesados na fábrica de Sete Lagoas (MG) a partir do dia 16. Há outros 6 mil operários de várias montadoras nessa condição.

General Motors, Mitsubishi e Volkswagen darão férias coletivas. Nos próximos dias, outras empresas devem anunciar paradas, aproveitando o feriado da Independência, no dia 7.

A Mitsubishi decidiu antecipar as férias de fim de ano e dispensará boa parte dos 3 mil funcionários da fábrica de Catalão (GO) de 14 de setembro a 3 de outubro. A Volkswagen dará férias de 20 dias a cerca de 450 trabalhadores em São José dos Pinhais (PR) a partir do dia 1º. O grupo estava em lay-off há cinco meses e retornou ao trabalho nesta semana, segundo o sindicato dos metalúrgicos local.

A Volkswagen informou que "tem feito uso de ferramentas de flexibilização para adequar o volume de produção à demanda do mercado". A General Motors vai suspender toda a operação do complexo de Gravataí (RS), onde trabalham 9 mil pessoas, entre os dias 7 e 27.
Estarão ainda fora das fábricas no próximo mês os 3 mil trabalhadores da Fiat de Betim (MG) que entraram em férias na última segunda-feira e só retornam no dia 14. Na Chery, de Jacareí (SP), 200 operários também iniciaram férias na segunda-feira e voltam no dia 8.

Protesto. Ontem, funcionários da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo (SP) realizaram passeata pela Rodovia Anchieta em protesto contra 1,5 mil demissões na fábrica.

Os cortes começaram a ser comunicados por telegrama na sexta-feira, quando os 7 mil trabalhadores da área de produção da Mercedes ainda estavam em férias coletivas. Eles deveriam retomar as atividades na segunda-feira, mas decretaram greve por tempo indeterminado.

CPI DO BNDES VAI OUVIR TODOS OS PRESIDENTES

Mantega_agbr_520x333.jpg
O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES Guido Mantega
A CPI do BNDES na Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira, 27, requerimentos de convocação de todos os presidentes que estiveram à frente do banco de fomento entre 2003 e 2015. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que comandou a instituição entre novembro de 2004 e março de 2006, está entre os ex-mandatários que terão que depor à CPI. Também foram convocados Eleazar de Carvalho Filho, Carlos Lessa e Demian Fiocca.

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a gestão do banco nos últimos 12 anos, incluindo contratos de financiamento de empreendimentos no exterior, também aprovou requerimentos para que seis diretores do BNDES prestem depoimento na Câmara. No entanto, apenas quatro deles serão ouvidos inicialmente, por acordo entre os parlamentares.

O atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, presta depoimento à CPI nesta quinta-feira.

GOVERNO COGITA A VOLTA DA CPMF


Temer_AGBR_483x303.jpg
O vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou nesta quinta-feira, 27, que por enquanto só existe "burburinho" sobre um possível retorno da CPMF, mas que o governo precisa de medidas de contenção. "A primeira ideia é sempre de que não se deve aumentar tributo. Mas, por outro lado, há muitas vezes a necessidade de apoiar medidas de contenção. Não estou dizendo que nós vamos fazer isso. Por enquanto é só burburinho e não está sendo examinado pelo governo", comentou após um encontro com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, em seu escritório pessoal em São Paulo.

A discussão sobre a volta da CPMF no governo foi informada ontem ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, por uma fonte da equipe econômica do Planalto. Segundo ela, o envio de uma proposta de emenda constitucional da CPMF ao Congresso Nacional está sendo analisada pela presidente Dilma Rousseff e qu o governo já tem uma minuta pronta da PEC. Ela faz parte do conjunto de medidas de aumento de tributos em discussão na elaboração da proposta do Orçamento da União do ano que vem.

Questionado sobre uma possível fusão de ministérios que tratam da área agropecuária, que segundo especulações poderia ficar sobre a chefia da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, Temer afirmou que ainda não há nada definido sobre o assunto. "Tudo vai depender das conversas com os vários partidos políticos que dão sustentação ao governo. Tenho absoluta convicção que eles compreenderão e colaborarão, neste momento em que o País necessita dessa reformulação".

O vice-presidente ainda elogiou a recondução do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que teve o nome aprovado ontem pela Comissão de Constituição e Justiça (CJJ) do Senado. "Foi corretíssima a decisão do Senado. Dizia-se que poderia haver resistência e isso não se verificou, houve uma margem de votos expressiva", comentou.

Em relação à nova extensão de 15 dias dada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para que o governo apresente sua defesa no caso das chamadas "pedaladas fiscais", Temer disse que a medida é boa e permitirá incluir novos dados, apesar de a defesa já estar bem fundamentada.

Temer também falou sobre o encontro com Sarkozy, que está no Brasil acompanhando sua esposa, a cantora Carla Bruni. Segundo Temer, o ex-presidente francês compartilhou suas experiências, já que também passou por momentos difíceis durante seu governo. "A conversa se deu em torno da situação atual do Brasil. Ele inclusive tomou a liberdade de nos aconselhar, dizendo que não devemos recuar, temos de ir adiante, enfrentar toda e qualquer crise, porque toda crise é passageira", afirmou o vice-presidente

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

GOVERNO É ILEGÍTIMO E DILMA DEVE RENUNCIAR


FHC
Criticado por movimentos após afirmar que Dilma é "honrada", FHC ataca o governo

Pouco mais de duas semanas depois de dizer que Dilma Rousseff (PT) é uma pessoa "honrada", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou que o governo da petista é "ilegítimo" e defendeu sua renúncia. 
FHC atacou seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e afirmou que os "malfeitos" do petista contaminam o governo atual, que não teria, segundo ele, condições de governar. De acordo com o líder tucano, as manifestações de 16 de agostodemonstraram que permanece na sociedade o sentimento de ilegitimidade, que emanaria das "falcatruas do lulopetismo". 
Sem mencionar diretamente a aproximação entre o Planalto e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que se posiciona como fiador do governo, FHC afirmou ainda que "os conchavos de cúpula só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao governo".
Abaixo, a íntegra dos comentários de FHC:
O mais significativo das demonstrações, como as de ontem, é a persistência do sentimento popular de que o governo, embora legal, é ilegítimo. Falta-lhe a base moral, que foi corroída pelas falcatruas do lulopetismo. Com a metáfora do boneco vestido de presidiário, a Presidente, mesmo que pessoalmente possa se salvaguardar, sofre contaminação dos malfeitos de seu patrono e vai perdendo condições de governar.
A esta altura, os conchavos de cúpula só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao governo, isto é, a aceitação de seu direito de mandar, de conduzir. Se a própria Presidente não for capaz do gesto de grandeza (renúncia ou a voz franca de que errou, e sabe apontar os caminhos da recuperação nacional), assistiremos à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de Lavajato. Até que algum líder com forca moral diga, como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao Collor: você pensa que é presidente, mas já não é mais