quinta-feira, 20 de outubro de 2016

EDUARDO CUNHA DISPOSTO A DELATAR TRAIDORES

Eduardo Cunha se defende na CCJ da Câmara (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Um dia antes de ser preso pela Polícia Federal, o ex-deputadoEduardo Cunha disse que estava disposto a delatar todos os "traidores". É assim que ele chama o grupo de políticos que participou de esquemas de corrupção, estava a seu lado e depois o abandonou.
Se levar adiante sua vontade, Cunha poderá entregar os desafetos já em seu primeiro depoimento em Curitiba. Ou seja, nesta semana

TEMER ORDENA LEI DO SILÊNCIO NO PALÁCIO DO PLANALTO

Juan Mabromata / AFP

O governo tenta evitar que a tensão provocada em Brasília afete o Palácio do Planalto depois da prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A blindagem ao Planalto foi determinada pelo próprio presidente Michel Temer, que deixou Tóquio na manhã de quarta-feira (19/10) quando a ordem do juiz Sérgio Moro foi executada.

Apesar do pedido para que ninguém comentasse o episódio para evitar levar a crise para o governo, há uma preocupação com os problemas que Cunha possa criar para Temer e seus ministros, atrapalhando os planos de assegurar a aprovação da PEC do Teto, na semana que vem, e até a governabilidade.

Apesar de já esperar que a prisão de Cunha pudesse acontecer a qualquer momento, a notícia causou surpresa no governo e veio em um dia em que o Planalto acreditava que conseguiria uma agenda positiva com a primeira redução dos juros em quatro anos. O governo contava com isso para ajudar no "clima favorável" para o qual estava trabalhando, para contribuir na votação da PEC do Teto.

O QUE VAI ACONTECER DEPOIS DA PRISÃO DE CUNHA?


Oficialmente, o Palácio do Planalto não se manifestou. E assessores trataram de propagar o discurso de que o governo não teme uma possível delação do peemedebista. Enquanto Cunha voava em direção a Curitiba, o presidente Michel Temer viajava do Japão ao Brasil.


Embora não tenha sido divulgado oficialmente, inicialmente, Temer voltaria ao Brasil da viagem que fez ao Oriente na madrugada de amanhã. Mas, segundo o Planalto, Temer não antecipou o voo nem soube da prisão com antecedência.



O partido de Cunha também procurou se esquivar de comentários. “O PMDB não vai tomar qualquer posição, não vamos tratar disso. Ele está sendo investigado e tem que ser respeitado o direito de ampla defesa”, disse o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Ministros mantiveram as agendas normalmente ontem no Palácio do Planalto e não se manifestaram sobre a prisão.

Assessores negaram que haja o temor de que Cunha faça um acordo de delação premiada e prejudique o governo, embora o peemedebista já tenha dado declarações públicas contrárias ao secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco. Interlocutores disseram que a prisão tampouco atrapalha a agenda de votações no Congresso Nacional. “São agendas diferentes”, disse um assessor presidencial.

HILLARY GANHA NOVAMENTE O DEBATE COM TRUMP

AFP


A questão do aborto e as denúncias de abuso sexual contra Donald Trump agitaram o último debate entre o candidato republicano e sua adversária democrata, Hillary Clinton, nesta quarta-feira, em Las Vegas, Nevada.

A discussão sobre a Suprema Corte abriu o encontro, com Hillary e Trump expondo suas diferenças em relação aos juízes a serem escolhidos pelo futuro presidente para a mais alta instância do Poder Judiciário dos Estados Unidos.

Trump buscou tranquilizar a base conservadora de seu partido, ressaltando que indicará juízes pró-vida (contrários ao aborto) e que se oponham a mais controles aos donos de armas. Nesse sentido, agradeceu à National Riffle Association (NRA) - o principal lobby de armas do país - pelo apoio à sua campanha.

Hillary rebateu criticando o atual Congresso de maioria republicana por impedir o presidente Barack Obama de tentar preencher o assento vacante na Suprema Corte. A democrata disse ainda que vai "defender o direito das mulheres de fazer suas próprias decisões de cuidado de saúde"

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

ACUSADOS DE ATRAPALHAR CPI VIRAM RÉUS NA LAVA JATO

O juiz federal Sergio Moro, aceitou nesta terça-feira denúncia contra o ex-presidente da Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho e Erton Medeiros, da Galvão Engenharia. Com a decisão, eles se tornam réus na ação penal da 33ª fase da Lava Jato, deflagrada em agosto deste ano, e passam a responder pelo crime de corrupção ativa.
Os dois são acusados de oferecer 10 milhões de reais ao senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), que morreu em 2014, e ao deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), para que CPI da Petrobras no Senado não fosse instalada.
A 33ª fase, batizada de Resta Um, reuniu informações de corrupção e fraude nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, na Refinaria Abreu e Lima e em diversas refinarias, como a do Vale do Paraíba, Landulpho Alves e na de Duque de Caxias.
Em junho, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o deputado federal Dudu da Fonte (PP-PE) por indícios de que ele intermediou pedido de propina para barrar em 2009 as investigações da CPI da Petrobras. Segundo o Ministério Público, Dudu cometeu o crime de corrupção passiva porque atuou junto ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa para pedir 10 milhões de reais a fim de que o então presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, atuasse para que a comissão de inquérito não produzisse resultado efetivo.
Para viabilizar o dinheiro, Dudu, Sérgio Guerra e Paulo Roberto Costa se reuniram pelo menos quatro vezes no Rio de Janeiro, no segundo semestre de 2009, para acertar detalhes do pagamento. Uma das reuniões foi gravada em áudio e vídeo e entregue ao Ministério Público. Acerto feito, Paulo Roberto recolheu 10 milhões de reais do então deputado José Janene, controlador do caixa da propina do PP. Segundo as investigações, os valores acabaram sendo facilmente providenciados pelas empreiteiras Queiroz Galvão e Galvão Engenharia.

DELAÇÃO DA EMPRESA DELTA CITA PSDB E PMDB

O empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta Engenharia, negocia um acordo de delação premiada no qual pretende detalhar supostos pagamentos de propinas a políticos do PMDB e do PSDB relacionados a obras nos governos de São Paulo, Rio e Goiás, além de estatais federais como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Petrobrás. O acordo de colaboração se dá no âmbito da Operação Saqueador, da qual o empresário foi alvo em junho deste ano.
Na proposta, em forma de anexos, entregue aos procuradores do Ministério Público Federal do Rio e à Procuradoria-Geral da República, Cavendish, ao tratar de São Paulo, cita pagamentos indevidos que seriam destinados ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), segundo fontes com acesso às negociações.
A empreiteira integrou consórcio responsável por um dos lotes da obra de ampliação da Marginal Tietê, que foi alvo de denúncia do Ministério Público de São Paulo. A investigação apura o pagamento de um aditivo de 71 milhões de reais à Delta que teria sido repassado a empresas de fachada em nome do operador Adir Assad, alvo da Operação Lava Jato. Um dos responsáveis pela obra era o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira Souza, afilhado político de Nunes Ferreira. À época da assinatura dos aditivos, Vieira Souza não era mais diretor da estatal paulista