quarta-feira, 23 de agosto de 2017

TEMER NÃO SE PREOCUPA COM AS BRAVAS DO PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA

Marcos Correa/PR
Auxiliares do presidente Michel Temer avaliaram que o acordo de delação do corretor Lúcio Bolonha Funaro é mais um capítulo na disputa entre o Palácio do Planalto e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Para aliados do presidente, Janot estaria aproveitando os últimos dias antes do fim do seu mandato, em 17 de setembro, para tentar usar as "últimas flechas", em referência a expressão dita pelo procurador. 

Apesar de tentar ressaltar que a delação de Funaro está no script da disputa com Janot, auxiliares de Temer tentam minimizar o estrago no governo que a delação possa causar, mas destacam que é preciso esperar o teor do depoimento do corretor para ver o possível impacto.

A estratégia de como o governo vai reagir às acusações deve ser a de tentar deixar o problema o mais distante possível e repassar o embate para os advogados.

POLÍCIA FEDERA DIZ QUE SENADOR RECEBEU 2 MILHÕES EM PROPINA

Minervino Junior/CB/D.A Press
Relatório da Polícia Federal atribui propina de R$ 2 milhões da OAS ao senador José Agripino (DEM-RN). A PF vê envolvimento do parlamentar e do empreiteiro José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, em irregularidades no financiamento do BNDES destinado a obras na Arena das Dunas, estádio em Natal, para a Copa de 2014.

"Diante dos suficientes indícios de materialidade e autoria, foram então imputadas as condutas de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro ao senador José Agripino Maia; lavagem de dinheiro a Raimundo Alves Maia Júnior; corrupção ativa a José Adelmário Pinheiro Filho; além de crime de prevaricação a Carlos Thompson Costa Fernandes - conselheiro do TCE/RN à época dos fatos", informou a PF, que concluiu na segunda-feira (21/8), inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) instaurado para apurar eventual participação de recebimento de vantagens indevidas por parte do senador, que é presidente nacional do DEM.

ELETROBRÁS PODE RENDER 17 BILHÕES AOS COFRES DO GOVERNO

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
A privatização da Eletrobrás pode render R$ 17 bilhões para o Tesouro Nacional no próximo ano, segundo cálculos da consultoria Thymos Energia feitos a pedido do 'Estadão/Broadcast'. Essa estimativa leva em conta uma das opções aventadas pelo governo para vender o controle da empresa, que é a estatal levantar recursos na Bolsa de Valores com uma oferta de novas ações e usar o dinheiro para mudar os contratos do setor elétrico, o que geraria um pagamento de bônus à União. O governo ainda não definiu a modelagem de venda da empresa, mas anunciou ontem que a intenção é concluir o processo no primeiro semestre de 2018.

Apesar dessa perspectiva de reforço no caixa, o governo negou que esse seja o principal objetivo da operação. "Trata-se de um movimento muito maior do que apenas a necessidade arrecadatória. Vamos entregar uma nova empresa muito mais ágil após esse processo, com capacidade de enfrentar os desafios em um cenário competitivo com empresas globalizadas", disse o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho

FILHO DE MINISTRO DO TCU É ALVO DA LAVA JATO

Aloisio Mauricio/Agência Estado
Dando continuidade aos trabalhos de fases recentes, a Polícia Federal (PF), deflagra na manhã desta quarta-feira (23/8), a 45ª fase da Lava-Jato - Operação Abate II. É alvo de buscas Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União (TCU). A primeira fase da Abate prendeu o ex-deputado Cândido Vaccarezza no dia 18 de agosto. O ex-parlamentar foi solto nesta terça-feira (22/8).

Em nota, a PF afirmou que foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador, Brasília e Cotia, município da Grande SP.

Seguindo a mesma linha de atuação criminosa revelada na última fase da investigação, foi identificada a participação de novos interlocutores que atuaram junto a Petrobras para favorecer a contratação de empresa privada e remunerar indevidamente agentes públicos.

De acordo com novos elementos colhidos na investigação policial, dois advogados participaram de reuniões nas quais o esquema criminoso, com o pagamento de propinas a agentes da Petrobras, teria sido planejado. Paralelamente, teriam recebido comissões pela contratação de empresa americana pela empresa petrolífera, mediante pagamentos em contas mantidas na Suíça em nome de empresa offshore.

Na investigação também se detectou a participação de um ex-deputado federal e sua assistente na prática dos crimes e no recebimento de pagamentos indevidos

DEPUTADOS NÃO SE ENTENDEM PELA REFORMA POLÍTICA

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil
O projeto de reforma política é confuso, gerou uma briga entre Câmara e Senado e, agora, os deputados nem sequer conseguem se entender quanto à maneira de votar a matéria no plenário da Casa. A oposição defende a votação de um texto-base com os destaques em separado. Parte da base quer o fatiamento da emenda constitucional item por item. Relator da proposta, o petista Vicente Cândido (SP) não faz a mínima ideia do que vai acontecer nem do que vai apoiar. A briga será retomada hoje.

Dois pontos principais não têm consenso: o fundo público de campanha e o distritão. “Nós queremos votar da maneira tradicional, porque eles não têm voto para aprovar o Fundão e o Distritão”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). O líder do PP na Casa, Artur Lira (AL), apresentou uma proposta de fatiamento da emenda constitucional. A ordem de votação seria então: sistema eleitoral (distritão), fundo de financiamento, exclusão do percentual do fundo, fim da reeleição, data da posse, data para o segundo turno, e distrital misto a partir de 2022.

Pelo regimento, esse tipo de fatiamento precisa ser deliberado em plenário. “Eles (o Centrão) querem que Rodrigo Maia (DEM-RJ) decida isso sozinho. Não pode”, esbravejou Silvio Costa (PTdoB). O presidente da Câmara também irritou-se. “O senhor me respeite, que sempre respeitei a todos, assim como respeito o regimento”, devolveu o demista, avisando que só aceitará o fatiamento se Vicente Cândido também der o aval. “Tem muita conversa e tentativa de acordo ainda”, despistou o petista.

PROFESSORES SÃO AGREDIDOS E NÃO HÁ PROVIDENCIAS LEGAIS

Reprodução/Facebook
As fotos que a professora Marcia Friggi, 51 anos — professora de português há 10 — postou, em uma rede social, refletem um a situação que não é isolada: o Brasil é líder em violência contra docentes, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). As imagens mostram o rosto dela desfigurado, com sangue, supostamente resultado da agressão de um aluno de 15 anos do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) de Indaial (SC), na segunda-feira.

Segundo pesquisa da OCDE, 12,5% dos professores brasileiros disseram sofrer violência verbal ou intimidação de alunos, pelo menos uma vez por semana. O Brasil ocupa a primeira posição no ranking. Em segundo lugar aparece a Estônia com 11%, seguida pela Austrália com 9,7%. A pesquisa foi realizada em 34 países, com a participação de 100 mil professores e diretores dos ensinos fundamental e médio.

Outra pesquisa mostra que mais de 22,6 mil professores foram ameaçados por estudantes e mais de 4,7 mil sofreram atentados à vida nas escolas. Os dados são do questionário da Prova Brasil 2015, aplicado a diretores, alunos e docentes do 5º e do 9º anos do ensino fundamental de todo o país. A violência também ocorre entre estudantes: 71% dos mestres presenciaram agressões verbais ou físicas entre eles. As informações estão na plataforma Qedu