domingo, 16 de dezembro de 2018

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA DISCUTIRÁ AUXÍLIO MORADIA PARA JUÍZES.

- O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tratará da regulamentação do auxílio-moradia para a magistratura na última sessão do ano, a realizar-se na próxima terça-feira (18).
O presidente do CNJ, ministro Dias Toffoli, colocou o assunto como primeiro item da pauta.
Aparentemente, trata-se de desdobramento da decisão do ministro Luiz Fux, que revogou –no último dia 27 de novembro–, o pagamento do benefício a juízes e determinou a remessa dos autos ao CNJ e ao CNMP.
A revogação do pagamento do auxílio-moradia foi interpretada como parte de acordo com o governo Temer para a sanção do aumento salarial dos ministros do STF.
Fux determinou aos dois órgãos regulamentarem a matéria sub judice, “obedecida a presente decisão, vedada qualquer distinção entre os membros da magistratura e do Ministério Público”.
No dia seguinte, questionado pela imprensa, Toffoli disse que essa questão era “página virada”.
A discussão gira em torno da Resolução nº 199, assinada em 7 de outubro de 2014 pelo então presidente do CNJ, ministro Ricardo Lewandowski. A norma foi editada em cumprimento à decisão liminar do ministro Fux de setembro de 2014, que autorizou o pagamento de auxílio-moradia a todos os magistrados.
A liminar de Fux ficou dois anos sem julgamento pelo plenário do STF.
A resolução de Lewandowski tinha o objetivo de “estabelecer parâmetros seguros ao cumprimento” da liminar de Fux, considerando, entre outros motivos, que o auxílio-moradia vinha sendo pago por diversos tribunais “em patamares díspares, acarretando injustificável tratamento diferenciado entre magistrados”.
A prática mostraria que a Resolução 199 foi insuficiente para evitar distorções nos estados.
O TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), por exemplo, pagava auxílio-moradia de R$ 4.786,14, valor acima do fixado pelo CNJ, de R$ 4.377,73 mensais. O tribunal mineiro também se antecipara à liminar de Fux.
Em dezembro de 2015, Lewandowski suspendeu decisão que autorizava juízes de Santa Catarina a receberem auxílio-moradia em duplicidade, prevendo-se retroatividade.
Lewandowski escreveu: “A decisão que se pretende suspender permitiu, com efeito retroativo a dezembro de 2014, o pagamento de ajuda de custo para moradia a diversos magistrados estaduais cujos cônjuges ou companheiros já recebiam a mesma verba; portanto, em desacordo com a Resolução 199/2014 do Conselho Nacional de Justiça, que regulamentou a matéria”.
Em 2016, Dias Toffoli manteve decisão do CNJ que determinara ao TJ-MT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso) suspender o pagamento de auxílio-moradia a magistrados aposentados e pensionistas.
No mesmo ano foram discutidas no CNJ decisões tomadas nos estados do Amapá e Sergipe, prevendo, entre outras questões, pagamentos retroativos do benefício não autorizados pelo Supremo.

JOÃO DE DEUS ESTÁ FORAGIDO DA JUSTIÇA.

Médium é procurado pela Justiça e já considerado foragido.
O Ministério Público (MP) do Estado de Goiás informou hoje (15), por nota, que o médium João de Deus já é considerado foragido. Segundo o MP, ele não foi encontrado em todos os endereços possíveis e o comparecimento espontâneo não ocorreu nas 24 horas seguintes à ordem de prisão.
Dessa forma, acrescentou o MP estadual, João de Deus pode ser preso por qualquer autoridade policial brasileira ou estrangeira, com auxílio da Interpol, caso saia do país.
Segundo o Ministério Público, a condição de foragido se estabelece mesmo com a negociação entre os advogados do médium e as autoridades. João de Deus já foi alvo de mais de 300 denúncias de abuso sexual. Sua prisão foi decretada ontem (14) pela Justiça de Goiás.
Na manhã de hoje (15), a Secretaria de Segurança Pública de Goiás afirmou que não havia prazo determinado para considerar o médium foragido (http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-12/ssp-diz-que-nao-ha-prazo-para-joao-de-deus-ser-considerado-foragido). As buscas estão sob responsabilidade da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de Goiás.
As denúncias contra João de Deus começaram a vir a público na sexta-feira (7) quando a mídia divulgou as primeiras denúncias de abuso sexual. A partir daí, outras mulheres que afirmam ser vítimas do médium começaram a procurar as autoridades e a imprensa

HADDAD IRONIZA BANCOS POR COBRAREM JUROS ALTOS NO BRASIL.

 - Com a afirmação de que "os bancos não vão baixar os juros sozinhos", Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, ecoou explicações da Febraban (federação de bancos) para as altas taxas cobradas de consumidores do país.
Em um livro de 164 páginas, a entidade lista suas explicações para os juros elevados e apresenta soluções que fariam com que caíssem.
Apenas 1 das 21 medidas está sob a alçada dos bancos, e apenas parcialmente. É a adoção do crediário com juros para diminuir o uso do parcelado sem juros. Segundo os bancos, há um subsídio cruzado no setor que faz com que os juros do rotativo sejam elevados.
Em sua página no Twitter, o ex-presidenciável Fernando Haddad (PT) ironizou o documento em que os bancos se esquivam da responsabilidade sobre os juros altos no Brasil. "Não é fácil ser banqueiro no Brasil', escreveu o petista.
Fernando Haddad

Entre as demandas propostas pelas instituições financeiras, estão medidas que reduziriam a cobrança de impostos, regras mais simples para análise e recuperação de crédito e liberdade para cobrar tarifas, que hoje são limitadas pelo Banco Central.
A ofensiva se concentra em tentar destravar regulações que poderiam reduzir custos do banco sem afetar resultados. As grandes instituições entregam retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de cerca de 20% a seus acionistas.
"Para manter o ROE, os bancos não vão fazer mea-culpa e abrir mão de resultado presente por um mais consistente de longo prazo", diz Wellington Lopes de Souza, professor de finanças do Ibmec-SP.
O spread é a receita bruta de um banco, a diferença entre o custo para captar dinheiro e o juro cobrado em um empréstimo concedido a um cliente.
No sistema bancário, a taxa média é de 24,6% ao ano, e o custo de captação, 6,6%. O spread, portanto, é de 18%, segundo dados do Banco Central referentes a outubro.
No ano passado, o BC fez o cálculo da divisão do spread e considerou que a margem financeira (receita líquida) é menos de 10% do spread.

POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA QUEM FEZ AMEAÇAS A BOLSONARO.

Bolsonaro já mencionou outras ameaças no passado.
A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (13) mandado de busca e apreensão no Rio de Janeiro contra autor de publicações em redes sociais com ameaças de morte ao presidente eleito Jair Bolsonaro, informou a PF em nota.
O investigado, um homem de 23 anos, teria feito publicações que "incitaram a subversão da ordem política fomentando a morte do então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro", segundo a PF.
Na tarde de quarta-feira, Bolsonaro compartilhou no Twitter um vídeo em que era ameaçado por um homem armado e pediu ações públicas para defender o "cidadão de bem".
"O brasileiro sofre diariamente com ameaças às claras em todos os Estados do Brasil. Cabe ao Executivo, Judiciário em conjunto com parlamentares, agirem em prol da defesa do cidadão de bem, criando dispositivos para retarguarda jurídica dos Agentes de Segurança Pública", escreveu o presidente eleito.
Não ficou claro se há alguma relação entre o homem do vídeo e o alvo do mandado de busca e apreensão cumprido nesta quinta-feira.
Bolsonaro já mencionou outras ameaças no passado, e no início de dezembro o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, sugeriu cautela na cerimônia de posse em 1º de janeiro.
Segundo a PF, o alvo do mandado desta quinta-feira também insultou o então candidato a vice-presidente, general Hamilton Mourão. A pena para o crime investigado pela PF é de reclusão de 1 a 4 anos.

EM QUATRO ANOS O STF SÓ CONDENOU 1 DEPUTADO NA LAVA JATO.

O deputado Nelson Meurer. Foto: Viola Junior / Câmara dos Deputados – 
Em quatro anos de Operação Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal (STF) instaurou 300 investigações e condenou uma pessoa. A Corte fez e divulgou um balanço sobre a operação contabilizando dados envolvendo políticos com foro privilegiado até o dia 5 de dezembro.
Desses inquéritos, 24 foram denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR). Dessas, oito viraram ações penais. Das ações penais, duas foram julgadas: uma gerou condenação e a outra absolvição.
A única condenação da Lava Jato no STF ao longo desses quatro anos é a do deputado federal Nelson Meurer (PP-PR). Meurer foi condenado em maio deste ano a 13 anos e 9 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na segunda ação julgada, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi absolvida.
O balanço destaca também as 110 delações premiadas homologadas desde 2016. Segundo o Supremo, elas ajudaram no andamento das investigações e resultaram na arrecadação de R$ 782 milhões aos cofres públicos.
Na Corte, os casos da Lava jato tramitam na 2ª turma da Corte, composta pelos ministros Edson Fachin, relator dos processos, Carmen Lúcia, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello

OAS PAGAVA MAIS DE 200 MILHÕES DE PROPINA POR ANO.

Sede da Petrobras em Salvador, construída pela OAS
Reprodução
 - O grupo empresarial OAS repassava cerca de R$ 200 milhões em propina todo ano até se tornar alvo da Lava Jato em 2014, segundo ex-funcionários do departamento responsável pelo caixa dois e distribuição de dinheiro ilegal da empreiteira.
Oito desses executivos, que trabalhavam numa área denominada Controladoria, assinaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal no ano passado.
Foi com base em seus depoimentos que a Polícia Federal avançou na Operação Sem Fundo, fase da Lava Jato que investigou desvio de verbas nas obras do conjunto Torre Pituba, sede da Petrobras na Bahia.
O empreendimento foi realizado com dinheiro da Petros, fundo de pensão dos funcionários da estatal, e construído pelas empreiteiras OAS e Odebrecht.
A Polícia Federal vinha investigando o caso com base em depoimentos de delatores da Odebrecht, mas desconfiava que havia peças faltando nas histórias contadas. Recorreu então aos delatores da OAS.
Os policiais estimam que mais de R$ 68 milhões em propina foram distribuídos relacionados à construção da Torre Pituba.
No dia 23 de novembro, a juíza Gabriela Hardt, substituta de Sergio Moro na Lava Jato, determinou a prisão de 22 pessoas, entre elas o herdeiro da OAS, César Mata Pires Filho, executivos da empreiteira, diretores da Petros e pessoas ligadas ao PT.
Ao menos seis dos presos da companhia baiana já vinham tentando fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.
Pires Filho, os ex-presidentes da empresa Leo Pinheiro e Elmar Varjão e os executivos José Nogueira Filho, Manuel Ribeiro Filho e André Petitinga relataram casos de corrupção à Procuradoria-Geral da República no ano passado esperando conseguir benefícios judiciais. O acordo, porém, não foi fechado.
A OAS tentava concluir uma delação em conjunto de funcionários, nos moldes do grande acordo firmado com a Odebrecht, que envolveu 77 executivos. Mais de 80 empregados da companhia foram chamados a relatar atos ilícitos.
No início de 2017, 24 desses executivos se reuniram por três dias com procuradores em Brasília, para descrever fatos e entregar os roteiros de suas delações.
Os investigadores, porém, desconfiaram que os representantes da cúpula da companhia não estavam contando tudo que sabiam.
Um executivo que participou das tratativas disse à reportagem que o primeiro sinal de que as conversas não caminhavam bem foi quando uma procuradora disse a um dos dirigentes da empresa que o encontro estava sendo inútil, pois o candidato a delator se mostrava inocente. Um acordo de delação só se aplica a culpados que querem confessar.