quarta-feira, 2 de outubro de 2013

REI DA CACHAÇA QUER DISTRIBUIR SEU DINHEIRO PELO MUNDO.

Conhecido como Toni, o mineiro é o maior produtor de cachaça artesanal do Brasil
O reinado de Toni, como de fato é conhecido, impressiona. Dono das marcas Seleta, Saliboa e Boazinha, ele começou a trabalhar no ramo aos 27 anos, por influência do sogro, dono de uma fábrica da bebida. A produção própria só começou em sua fazenda depois de dez anos. O motivo para entrar no ramo era simples: "Eu sempre gostei de ganhar dinheiro".
Hoje, Toni produz cerca de 1,3 milhão de litros por ano e exporta para países como EUA e China. Mas o que realmente chama atenção é sua figura.
Toni recebeu a Serafina vestido de branco da cabeça (chapéu) aos pés (sapatos). "Quando estou de branco, a alma fica limpa e o espírito aberto", diz. "Por isso, gosto de usar branco às segundas, quartas e sextas-feiras, começo, meio e fim da semana", explica o cachaceiro, que encontrou a reportagem em uma terça-feira.
Sua marca registrada é uma longa barba branca, que acaba de completar 15 anos de idade. A grande e grisalha cabeleira, que a acompanha invariavelmente, escorre por debaixo de algum dos chapéus que compõem sua vasta coleção. Toni tem três guarda-roupas e três sapateiras. "Uso uma roupa por no máximo três horas e tomo de seis a oito banhos por dia", diz.
Por baixo do chapéu Marcatto, de R$ 77 --ele não tira as etiquetas das roupas--, Toni leva um galho de arruda atrás da orelha. Orgulhoso proprietário de 500 pés da planta, garante que não usa a erva para espantar o mau-olhado. "Eu finjo ser supersticioso", conta. "Faço isso para chamar a atenção." Mas não gosta de maldizer a sorte. "É melhor ter sorte que ser filho de pai rico", diz. "E eu tenho."
Toni não gosta de dirigir --conseguiu atolar o carro e estourar um encanamento subterrâneo em sua fazenda nos poucos minutos em que levou a reportagem para um passeio. Seu meio de locomoção favorito é a mula. Sempre que pode, ele lança a sela em uma de suas 36, de preferência na que é seu xodó, Pirraça. Mas tem algumas de nomes mais sugestivos, como Sua Mãe e Seu Cuzinho.
Fascinado por animais, ele diz ter adestrado pessoalmente todas as mulas e os 84 cachorros que moram em suas duas fazendas.
Em sua casa na cidade, conta com a companhia de uma simpática cabra, de nome Arapuca, e o visitante ainda pode tomar um susto com Catarina, uma jiboia de seis metros que rasteja placidamente pelos aposentos. A cabra e a cobra, garante Toni, são amigas.
FAVOR NÃO BATER NO PORTÃO
Surpreendentemente simples para o dono de uma empresa que fatura "bem mais de 10 milhões por ano" (a política da companhia é não divulgar números), a casa de Toni não recebe estranhos de portas abertas.
Em cima de um muro amarelo, uma coleção de carrancas sugere uma recepção pouco calorosa. Na porta, um aviso afixado passa o recado mais diretamente: "Patrocínio já era, doações também. Favor não bater no portão".
Dentro do imóvel, fotos ampliadas dos seus seis filhos e cinco netos dividem as paredes com frases de autoajuda e piadas, impressas em folhas de papel sulfite e coladas com fita adesiva.
"Pai alho, mãe cebola, o filho não tem como cheirar bem", prega uma. "Cachaça só faz duas coisas com seu coração partido: ou arregaça estraçalhando tudo de vez, ou remenda", diz outra, para deleite do mineiro banguela, que ri alto, exibindo um buraco recente (fruto de um acidente gastronômico que lhe vitimou um pivô) e 25 dentes de ouro. "Tenho uma boca rica", brinca.
E, se depender dele, ela tem tudo para ficar mais rica ainda. "Não ganhei dinheiro o suficiente", resmunga o cachaceiro. "Mas estou mexendo com um segundo negócio muito promissor, que é uma lavra de pedras preciosas, de turmalina rosa", conta.
"Dentro de cinco anos, vou ganhar R$ 500 bilhões", prospecta, muito otimista (o quilate da pedra, em sua variedade mais valiosa, vale R$ 617. Para efeito de comparação, o preço do quilate de esmeralda mais valioso é 20 vezes maior).
E mantém a humildade para ajudar o repórter. "São 16 números, se você precisar escrever depois." Embora prestativo, o mineiro embaralha as contas, talvez inebriado pelo efeito da cachaça com Gatorade que beberica ao longo da entrevista. Quinhentos bilhões se escrevem com 12 números (14, se contar os dois zeros depois da vírgula).
Esse detalhe não incomoda o empreendedor, que possui questões mais prementes a tratar. Toni tem planos para sua empresa até 2048, ano em que completará seu centenário. Até lá, pretende formar um sucessor. "Quem sabe algum neto ou bisneto."
Gastar toda a bolada que sonha ganhar com a turmalina rosa não será problema. "Vou ficar só com 1% e doarei 99%, o que dá R$ 495 bilhões, para 13.500 pessoas que eu escolherei", diz. É bom correr. Você só tem mais 36 anos para cair nas graças de Toni Rodrigues

JULGAMENTO DO MENSALÃO FOI UM LINCHAMENTO.

Lula diz que julgamento do mensalão foi 'um linchamento'
O ex-presidente Lula acredita que daqui a meio século, quando puder falar sobre o mensalão sem a pressão da conjuntura, a posteridade vai reescrever o noticiário. “A história não é contada no dia seguinte, a história é contada 50 anos depois”, afirmou. “E eu acho que a história vai mostrar que, mais do que um julgamento, o que nós tivemos foi um linchamento, por uma parte da imprensa brasileira, no julgamento”.  Lula falou sobre o escândalo, porém ainda mede as palavras: “Eu tenho me recusado a falar disso porque sou ex-presidente, indiquei os ministros. Vou falar quando o julgamento terminar.” “Uma coisa eu não posso deixar de criticar. Se pegar o último julgamento agora [dos embargos infringentes], o que a imprensa fez com o Celso de Mello foi uma coisa desrespeitosa à instituição da Suprema Corte, que é o último voto. Ou seja, depois dela, ninguém mais pode falar…”, completou. Além de comentar a atuação da imprensa, o petista atacou também a atuação de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal. “Há quem me pergunte se não me arrependo de ter indicado tais pessoas para a Suprema Corte. Eu não me arrependo de nada. Se eu tivesse que indicar hoje, com as informações que eu tinha na época, indicaria novamente

POLICIAIS SÃO INDICIADOS PELA MORTE DE AMARILDO.

Dez PMs são indiciados pelo sumiço de Amarildo
A Polícia Civil do Rio indiciou na noite desta terça-feira (1º) dez policiais militares pelo desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, de 43 anos, morador da Rocinha, na zona sul do Rio. Eles são acusados de sequestro seguido de morte e ocultação de cadáver. A polícia também pediu a prisão preventiva dos PMs. Amarildo desapareceu na favela em 14 de julho passado, depois de detido por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local. O sumiço virou palavra de ordem em passeatas ocorridas em todo o país. Artistas como o cantor Caetano Veloso e o ator Wagner Moura foram a público cobrar do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), esclarecimentos sobre o destino do pedreiro. Manifestantes perguntavam em coro, durante protestos na frente do prédio de Cabral, no Leblon, zona sul: "Cadê Amarildo?". O delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios, entregou o relatório do inquérito, com 180 páginas, ao promotor Homero Freitas na noite desta terça. Entre os dez indiciados estão o major Edson Santos, comandante da UPP quando Amarildo sumiu, e os PMs Douglas Roberto Vital Machado, Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Marlon Campos Reis e Victor Vinícius Pereira da Silva. Em depoimentos ao longo do inquérito, todos negaram envolvimento no sumiço do pedreiro. Eles afirmaram ter liberado Amarildo após constatar que ele não era procurado pela Justiça. Nem a Polícia Civil nem a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio tinham revelado os nomes de todos os acusados até o final da noite.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

DILMA DEFENDE A VOLTA DO PARAGUAI AO MERCO SUL

Horacio Cartes disse que o Paraguai 'não quer favores', mas espaço nas negociações. Presidente se recusou a formalizar a volta ao Mercosul

Dilma e Horácio Cartes, presidente do Paraguai, em Brasília
Dilma e o presidente paraguaio, Horacio Cartes, em Brasília (Reuters)
Depois de um encontro com o presidente Horacio Cartes, nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff defendeu o retorno do Paraguai ao Mercosul. O país foi suspenso do bloco depois do impeachment de Fernando Lugo, em junho do ano passado: um golpe dos governos do Brasil e da Argentina para colocar a Venezuela no Mercosul – o Senado paraguaio rejeitou a entrada de Caracas. A suspensão perdeu a validade depois que Cartes assumiu a Presidência do Paraguai, em agosto deste ano. Mas ele se recusou a voltar, no momento em que Nicolás Maduro, o sucessor de Hugo Chávez, ocupa temporariamente a presidência do bloco. 
“O Paraguai está em um processo de volta ao Mercosul, tem o tempo deles.O Brasil tem todo interesse nessa volta”, afirmou Dilma Rousseff em declaração no Palácio do Planalto. A presidente também afirmou que a relação entre os dois países “está intacta”. “Nossa relação bilateral, como vocês podem ver, nós mantemos intacta. Não houve consequência nenhuma”. 
Em sua primeira visita oficial ao Brasil, Cartes não fez referência direta ao Mercosul, mas reivindicou um espaço maior do Paraguai nas negociações com seus parceiros. “O Paraguai não quer pedir esmolas nem favores, mas sentar-se à mesa grande”, disse, segundo o jornal paraguaio Hoy, destacando a necessidade de negociar de “igual para igual” para que "as coisas sejam úteis para todos". Ele acrescentou que o Paraguai “tem hoje maior crédito do que tinha anteriormente”.
Apesar da vontade paraguaia de ter mais voz nas negociações, Dilma deixou clara sua defesa da participação da Venezuela no país no bloco – que é cada vez mais um palanque político e menos uma união aduaneira. “Consideramos que a participação do Paraguai no Mercosul tem um significado muito importante nesse momento e consideramos também que nós sermos capazes de integrar da Patagônia ao Caribe – portanto, estou me referindo à Venezuela – dá à nossa região um tecido multilateral muito mais forte”. 
A agenda de Cartes no Brasil inclui ainda visitas ao Congresso, onde será recebido por parlamentares, e ao Supremo Tribunal Federal, para reunião com o ministro Joaquim Barbosa

NUMERO DE PARTIDOS É PÉSSIMO PARA O PAÍS.

Na semana seguinte à aprovação de dois novos partidos políticos pela Justiça Eleitoral, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, disse que o número de siglas no Brasil é "péssimo para a estabilidade do sistema político" e que, "mais cedo ou mais tarde", o país terá de adotar uma cláusula de barreira.
"Nenhum sistema político funciona bem com 10, 12, 15, muito menos com 30 partidos", afirmou Barbosa.
Na terça-feira da semana passada, a Justiça autorizou a criação do Pros e do Solidariedade, o que elevou o número de siglas no país a 32.
Nesta semana, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deve decidir sobre a criação da Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva. Sem ter cumprido todos os requisitos legais, o grupo sinaliza que pode recorrer ao Supremo se tiver o registro negado.
Para Barbosa, "o caminho" para reduzir o número de partidos é a cláusula de barreira: "Só sobrevivem aqueles partidos que continuam a ter representatividade no Congresso", afirmou. "É algo que existe em muitos outros países. Nós tínhamos a cláusula, mas o Supremo declarou inconstitucional."
Prevista na Lei dos Partidos Políticos, de 1995, a norma que restringiria o funcionamento de siglas que não tivessem recebido ao menos 5% dos votos nas eleições para deputado federal foi derrubada em 2006, antes de começar a valer plenamente.
Barbosa deu as declarações após participar de um seminário a empresários promovido pela revista "Exame", em São Paulo.
No debate, disse que não existe sistema Judiciário mais confuso que o brasileiro e que a Justiça precisa ser mais "célere" e "eficiente".
"Não há sistema judiciário mais confuso que o nosso. O sistema legal brasileiro precisa desesperadamente de simplicidade, eficiência e eficácia", declarou o ministro.
No palco, Barbosa foi questionado sobre mecanismos de combate à corrupção dentro do Judiciário e, como resposta, criticou o sistema de escolha de magistrados para as cortes superiores. Segundo ele, juízes federais estão expostos a influências políticas, um dos "fenômenos mais perniciosos" do Judiciário.
"Só não aplica a lei o juiz que é medroso, comprometido ou politicamente engajado. Todo juiz federal tem a expectativa de subir ao tribunal superior, a Constituição prevê, mas não há mecanismos que criem automatismos permitindo que ele progrida, sem sair com o pires na mão para conseguir essa sua promoção, [...] sem que políticos tenham que se intrometer."

O DEMOLIDOR DE PRESIDENTES: CARLOS LACERDA


Divulgação
Marina Gusmão Mendonça narra a trajetória de um controvertido líder político
"O Demolidor de Presidentes" narra a trajetória de um polêmico líder
Em "O Demolidor de Presidentes", a historiadora Marina Gusmão de Mendonça relata a trajetória do jornalista Carlos Lacerda (1914-77).
De família comunista --seu nome, Carlos Frederico, é uma homenagem a Karl Marx e Friedrich Engels--, Lacerda foi militante de esquerda e lutou contra o governo de Getúlio Vargas.
Em 1939, deixou o movimento comunista, considerando a ditadura do proletariado uma possibilidade mais nociva do que qualquer outro regime. Assim, passou a ser visto como a voz da direita conservadora daquele período.
Unido aos militares e à UDN (União Democrática Nacional), tentou impedir a posse do presidente Juscelino Kubitschek e de João Goulart, seu vice-presidente. Com renúncia de Jânio Quadros e deposição de Jango, o Brasil entra em uma nova ditadura.
Em quase 40 anos de atividade política, Lacerda foi um dos líderes políticos mais polêmicos do Brasil no século 20. Ele acabou cassado pelo golpe que ajudou a articular.
Gusmão de Mendonça, que também assina "Formação Econômica do Brasil", procura compreender o papel de Lacerda na história recente do país