quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CORRUPÇÃO NA PETROBRÁS PARTIU DOS POLÍTICOS

O doleiro Alberto Youssef enviou nesta quarta-feira (28) à Justiça Federal a resposta formal às denúncias feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga esquema de lavagem de dinheiro e desvios dentro da Petrobras. No documento, a defesa do doleiro aponta que "agentes políticos e públicos" eram os maiores responsáveis pelo esquem
Na resposta à Justiça, Youssef negou ser chefe do esquema, que segundo o MPF, teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões.De acordo com a defesa, o esquema visava a manuteção do poder de políticos "das mais variadas cataduras". Os advogados afirmaram, ainda, que a única função do doleiro na organização criminosa era a "distribuição dos valores obtidos com a corrupção".
"Não é preciso grandes malabarismos intelectuais para reconhecer que o domínio da organização criminosa estava nas mãos de agentes políticos que não se contentavam em obter riqueza material, ambicionavam poder ilimitado com total desprezo pela ordem legal e democrática, ao ponto do dinheiro subtraído dos cofres da Petrobras ter sido usado para financiar campanhas políticas no legislativo e executivo", informaram os advogados.
Youssef também responsabilizou a gestão da Petrobras pelo "conluio" entre políticos e empreiteiras. De acordo com a defesa, a operação ocorria sem a interferência do doleiro, que, segundo os advogados, "não teria poder de interferir" dentro da estatal.
"Conforme dito por Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobras], réu colaborador, ele foi colocado na diretoria de Abastecimento com as funções de atender aos pleitos dos partidos da base aliada do governo, PT, PP e PMDB , sendo certo que esses partidos dividiam os valores arrecadados pelo esquema de corrupção na base de 1% a 3%", afirmou a defesa.
Por fim, os advogados pedem a rejeição da denúncia de corrupção passiva feita pelo MPF contra Youssef. No total, o doleiro é réu em dez processos relacionados à Operação Lava Jato. No entanto, pelo acordo de delação premiada que fez com a Justiça, ele ficará no máximo cinco anos preso em regime fechado.
Em outubro do ano passado, Youssef foi absolvido pela Justiça da denúncia que respondia por lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

PETROBRÁS PUBLICA BALANÇO SUPER AVALIADO

A Petrobras admitiu, nas notas explicativas do balanço não auditado publicado ontem, que carrega ativos em seu balanço avaliados acima de seu valor justo, no valor de 88,6 bilhões de reais, o equivalente a 14,8% de seu ativo total imobilizado (o valor de suas plantas e equipamentos) e 47% do total de ativos nos quais a Petrobras fez uma varredura.Graça Foster
Ajudada por consultores externos, a Petrobras botou uma lupa em ativos que totalizam 188,4 bilhões de reais — ativos que lhe foram fornecidos por empresas citadas na Operação Lava Jato.
O mistério começa a ser desvendado na página 11 dasDemonstrações Contábeis Não Revisadas - Terceiro Trimestre de 2014, publicado no site de RI da companhia na noite de ontem.
Ali, numa seção chamada “Discussões sobre ajuste do ativo imobilizado”, a Petrobras discute “os aspectos relacionados à necessidade de correção dos valores de determinados ativos imobilizados, a impraticabilidade de quantificar o valor exato a ser corrigido e a avaliação de duas abordagens alternativas consideradas pela Companhia em substituição à mensuração impraticável destes valores.”
A primeira destas abordagens seria a “aplicação do percentual médio de 3% de pagamentos indevidos, apontado no depoimento do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto da Costa à Justiça Federal em 08 de outubro de 2014.” E afirma que “o efeito potencial desta abordagem seria de uma perda estimada de 4.06 bilhões de reais” — ou seja, só o valor das propinas. “Essa abordagem não foi adotada porque os depoimentos não proporcionam, até o momento, detalhes suficientes em relação a pagamentos específicos que sustentem um lançamento nos livros e registros da Companhia,” diz a estatal no documento.
A segunda abordagem discutida é a “avaliação contratada pela Petrobras para calcular o valor justo de determinados ativos.”
Nesta abordagem, “a Companhia procedeu a avaliação econômica de determinados ativos pelo “Valor Justo”, de acordo com o CPC 46 parágrafo 9, recorrendo a consultoria externa. Para tal foram contratadas duas firmas globais reconhecidas internacionalmente como avaliadores independentes.”
A Petrobras diz então que analisou os contratos de fornecimento entre ela e as empresas citadas na Lava Jato.
Esses ativos selecionados totalizavam 188,4 bilhões de reais do imobilizado da companhia em 30 de setembro de 2014 e correspondem a 52 empreendimentos em construção ou em operação, “praticamente 1/3 do Ativo Imobilizado total do Sistema Petrobras (597,4 bilhões de reais) nesta data.”
Foram avaliados 21 ativos no segmento Abastecimento, 11 no segmento de Gás e Energia, 19 no segmento de Exploração e Produção e 1 na área corporativa.
“Como resultado da avaliação, do total de 52 ativos avaliados, 31 apresentaram valor justo inferior ao valor contábil, no montante total de 88,6 bilhões de reais e corresponde (sic) a 14,8% do Ativo Total Imobilizado em 30 de setembro de 2014 e 47% dos ativos sob avaliação,” diz a empresa na página 14 do documento.
“Os demais 21 ativos tiveram seu valor justo superior ao imobilizado, no montante de 27,2 bilhões de reais, que correspondem a 4,5% do Ativo Total Imobilizado em 30 de setembro de 2014 e 14,4% dos ativos sob avaliação.”
Como as regras contábeis não permitem que se reavalie um ativo “para cima”, a Petrobras está admitindo que, de fato, há 88,6 bilhões de reais em ativos em seu balanço que não deveriam estar lá.
Por que, então, a Petrobras não fez logo o writeoff (a admissão contábil) destas perdas?
A empresa sugere, nas notas explicativas, que o trabalho ainda não terminou.
“Os resultados dessa avaliação do Valor Justo de 52 ativos serão detalhadamente analisados … particularmente para os 31 que apresentaram valor justo inferior ao valor contábil. Eventuais procedimentos a serem adotados para as demonstrações contábeis revisadas pelos auditores independentes, tanto no que se refere ao lançamento de valores contábeis como às informações a serem prestadas nas notas explicativas do balanço auditado, serão aprofundados de forma a cumprir com as exigências dos órgãos reguladores (CVM e SEC).

POLICIA FEDERAL OUVE CERVERÓ NESTA QUARTA SOBRE PASSADENA

O ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró
O ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
A Polícia Federal interroga nesta quarta-feira o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Trata-se do segundo interrogatório a que ele será submetido desde que foi preso, há duas semanas. Desta vez, o objetivo é confrontá-lo com acusações, feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, de que Cerveró recebeu propina para recomendar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio nebuloso em que a petrolífera perdeu mais de 700 milhões de dólares.
Cerveró está preso na carceragem da PF em Curitiba. Ele foi detido pouco depois de retornar ao Rio de Janeiro de uma viagem para a Inglaterra. A prisão foi decretada porque a Polícia Federal e o Ministério Público Federal avaliaram que o ex-diretor tentava blindar seu patrimônio do alcance da Justiça. O episódio mais recente ocorreu no dia 16 de dezembro, quando ele tentou sacar quase 500.000 reais de um fundo de previdência privada. Dois dias antes, Cerveró tinha sido denunciado à Justiça Federal do Paraná sob a acusação de ter recebido mais de 30 milhões de reais em propina pela contratação de sondas da Samsung Heavy Industries. O ex-diretor é considerado um dos elos do PMDB na estatal e investigado por negociatas milionárias em que há suspeita de desvio de recursos públicos.  
O resgate antecipado de um plano de previdência privada não foi a única operação atípica que motivou a prisão de Cerveró. Como revelou reportagem de VEJA, o ex-diretor morou por cinco anos em um imóvel registrado como propriedade de uma off-shore do Uruguai. Os investigadores suspeitam que o apartamento foi adquirido com recursos de origem ilícita e que Cerveró era o verdadeiro dono do imóvel, ocultando a propriedade para evitar problemas com a Justiça. Em junho do ano passado, o ex-diretor já tinha tomado outra iniciativa que, na prática, escondia bens do alcance da Justiça – ele transferiu três imóveis para os filhos.
Pouco depois de ser preso, Cerveró prestou um primeiro depoimento, em que negou ter dinheiro escondido no exterior e ter recebido propina pela contratação de sondas. O advogado Edson Ribeiro, que defende o ex-diretor, afirmou que, nesta segunda oitiva, Cerveró deve se reservar ao direito de permanecer em silêncio.

ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS É ACIRRADA

Os deputados Eduardo Cunha, Arlindo Chinaglia e Julio Delgado
Os deputados Eduardo Cunha, Arlindo Chinaglia e Julio Delgado (VEJA)
Nos corredores da Câmara dos Deputados, uma máxima circula entre os congressistas: vence a eleição para o comando da Casa quem conseguir evitar as traições no voto secreto. Na reta final da disputa que definirá o presidente para os próximos dois anos, tal conceito nunca fez tanto sentido. Com três candidatos competitivos – o quatro é Chico Alencar, do nanico Psol – e uma negociação nos bastidores como há anos não se via, o grande desafio dos postulantes na reta final é assegurar que os seus apoiadores de fato cumprirão o acordo prometido dentro das cabines de votação.
A eleição deste ano, marcada para o próximo domingo, acontece no momento em que o Congresso se prepara para passar por um período de turbulências, com a votação dos ajustes fiscais impopulares anunciados pelo governo e a apresentação das denúncias contra os parlamentares envolvidos no escândalo do petrolão.

Nos últimos dias, ministros petistas e de partidos aliados iniciaram uma ofensiva em busca de votos para Arlindo Chinaglia (PT-SP), ex-presidente da Câmara e ex-líder do governo na Casa. Na mesa, há a oferta de cargos no segundo escalão da máquina, cadeiras privilegiadas em comissões e na cúpula da Casa e ainda a promessa da liberação das emendas parlamentares.
A estratégia fez efeito e levou o PRB, por exemplo, a repensar o apoio anunciado no líder do PMDB, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o nome mais temido pelo Palácio do Planalto para vencer a corrida. “A gente quer um poder mais independente e harmônico com o governo, e o perfil do Eduardo nos pareceu que vai empreender um ritmo de valorização da atividade parlamentar”, declarou, em 17 de dezembro do ano passado, o deputado eleito George Hilton (PRB-MG). Agora ministro do Esporte, o PRB mudou o discurso e estuda trocar o voto a favor do petista.
Dos quatro partidos que oficialmente apoiam Chinaglia, todos ganharam boas cadeiras na reforma ministerial da presidente Dilma Rousseff: PT, PSD, Pros e PCdoB. Ainda indefinidos, PDT e PR também devem confirmar o apoio ao petista – o que não significa, necessariamente, a transferência automática de voto no domingo. No caso do PR, por exemplo, um dos principais articuladores da campanha de Cunha, o deputado Sandro Mabel (GO), tem mantido conversas com o mensaleiro Valdemar Costa Neto para garantir votos ao peemedebista. Da mesma forma, são esperadas dissidências dentro no PDT

POLICIA VAI INVESTIGAR MAIS 1O EMPRESAS NA OPERAÇÃO LAVA JATO


A Polícia Federal (PF) abriu mais dez inquéritos para investigar empresas suspeitas de participar do esquema de corrupção em contratos com a Petrobras. Por determinação do delegado Eduardo Mauat, chefe da investigação da Operação Lava Jato, a PF vai investigar possível envolvimento de diretores e funcionários nos desvios.
De acordo com a PF, serão investigadas as empreiteiras Andrade Gutierrez, Setal Engenharia, MPE Montagens e Projetos Especiais, Alusa Engenharia S/A, Promon Engenharia, Techint Engenharia e Construção S/A, Skanska Brasil, GDK, Schahin Engenharia e a Carioca Christiani Nielsen Engenharia.
Na última fase da Operação Lava Jato, executivos das empreiteiras Engevix, OAS, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, Camargo Correa e UTC Engenharia se tornaram réus em ações oriundas das investigações da PF. De acordo com depoimentos de delação premiada, as empresas são acusadas de formação de cartel em contratos com a Petrobras.

DOLEIRO PAGOU MAIS DE 3MILHÕES A ASSESSOR DE ROSEANA SARNEY


DIVULGAÇÃO/ POLÍCIA FEDERAL
Em depoimento prestado à Polícia Federal, em novembro do ano passado, o doleiro Alberto Youssef revelou que pagou pessoalmente, no dia em que foi preso, em nome da UTC, propina de R$ 1,4 milhão que seria destinada ao então chefe da Casa Civil do governo de Roseana Sarney, João Abreu. O acerto, de acordo com o delator, seria para o governo aceitar pagar precatório da UTC no valor de R$ 113 milhões em 24 parcelas.
No depoimento, Youssef revela que o suborno acordado foi de R$ 10 milhões. "Mediante um acordo com João Abreu, ficou combinado que receberia parte do comissionamento, ou seja, três milhões de reais. Adarico Negromonte e Rafael Ângulo e salvo engano uma terceira pessoa levaram duas parcelas de R$ 800 mil".
Youssef conta que, no dia de sua prisão, levou R$ 1,4 milhão no quarto de Marco Ziegert, no Hotel Luzeiros, em São Luis, no Maranhão. O dinheiro foi levado numa mala preta e chegou até o Maranhão num avião fretado.
O doleiro informou que "no dia em questão, recebeu um tefonema em seu quarto e a pessoa disse que era engano, sendo que, ao retornar a ligação, soube que se taratava da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba". Marcos era o intermediário de João Abreu. Além da mala de dinheiro, Youssef também levou uma caixa de vinhos para ser entregue a Abreu