terça-feira, 1 de agosto de 2017

DEPUTADO LÍDER DO PMDB RECEBEU PROPINA EM CHEQUE

O deputado federal Baleia Rossi (PMDB-SP), em discurso na Câmara (Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados)
A campanha do deputado Baleia Rossi, líder do PMDB na Câmara, recebeu R$ 150 mil da JBS em 2014, por meio de um cheque do então presidente do PMDB, Michel Temer. Em 1º de outubro de 2014, a JBS depositou R$ 3 milhões na conta eleitoral do PMDB. No dia seguinte, Temer assinou o cheque a Baleia Rossi, seu aliado e filho do ex-ministro Wagner Rossi, acusado de receber um mensalinho da JBS, a pedido do então vice-presidente.
Os R$ 3 milhões depositados pela JBS na conta do PMDB foram debitados, na contabilidade paralela da empresa, do saldo de propina do PT junto ao grupo – US$ 150 milhões, mantidos em duas contas em Nova York.
Uma empresa da família de Baleia Rossi, a Ilha Produção, também aparece nos documentos da delação da JBS como beneficiária de pagamentos por indicação de Temer em 2010, 2012 e 2014

CONTAS DAS PROPINAS DO BNDES TINHAM SEDE NAS BAHAMAS

Para abastecer o PT de dinheiro sujo, a JBS criou um canal específico nas Bahamas, revelam documentos obtidos com exclusividade por ÉPOCA. O paraíso fiscal era usado para blindar dinheiro de propina. A pedido da JBS, o banco JP Morgan criou duas empresas offshore, Formentera Holdings e Mustique Enterprises, cujas contas ficavam numa agência em Nova York, nos Estados Unidos. O saldo das contas superou US$ 150 milhões.

EMPRÉSTIMOS DO BNDES Á JBS GEROU MILHÕES DE PROPINAS

Demilton de Castro e Florisvaldo de Oliveira estavam suando. No estacionamento da JBS em São Paulo, eles tentavam, sem sucesso, enfiar uma volumosa caixa de papelão num limitado porta-malas de Corolla. Plena segunda-feira e aquele sufoco logo cedo. Manobra para cá, manobra para lá e nada de a caixa encaixar. Até que, num movimento feliz, ela deslizou. Eles conseguiram. Estavam prontos para desempenhar a tarefa que fora designada a Florisvaldo. E que ele tanto temia. Dez dias antes, Florisvaldo despencou até uma rua na Vila Madalena, também em São Paulo, para fazer uma espécie de "reconhecimento do local" onde teria de entregar R$ 1 milhão em espécie. Seu chefe, o lobista Ricardo Saud, havia encarregado Florisvaldo do delivery de propina para o então vice-presidente da República, Michel Temer. O funcionário, leal prestador de serviço e carregador de mala, não queria dar bola fora. Foi dar uma olhada em quem receberia a bufunfa. Ao subir as escadas do prediozinho de fachada espelhada, deu de frente com a figura inclemente de João Baptista Lima Filho, o coronel faz-tudo de Temer. "Como é que você me aparece aqui sem o dinheiro?", intimou o coronel. "Veio fazer reconhecimento de que, rapaz?" Florisvaldo tremeu. "Ele me tocou de lá", comentou com os colegas, ainda assustado. Receoso da bronca que viria também do chefe, Florisvaldo ficou quietinho, não contou a Saud que a entrega não fora feita.

MINISTÉRIO PÚBLICO PRORROGA AÇÃO DA LAVA JATO EM CURITIBA

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) prorrogou por mais um ano a força-tarefa que atua na Operação Lava Jato em Curitiba. A decisão foi proferida nesta terça-feira, dia 1º, durante reunião do colegiado em Brasília. 

A força-tarefa que atua na capital do Paraná é coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol e investiga processos sob tutela do juiz federal Sérgio Moro. O grupo foi criado em abril de 2014, quando começaram as operações da Lava Jato, que apuram o esquema de corrupção na Petrobras e seus desdobramentos.

MILITARES COMEÇAM A DEIXAR AS RUAS DO RIO DE JANEIRO

Mauro Pimentel/AFP
Três dias após iniciar a operação de combate ao crime no Rio, o Ministério da Defesa começou nesta segunda-feira (31/7), a retirar as tropas das ruas da região metropolitana. Os militares se concentraram principalmente na Avenida Brasil e no Arco Metropolitano, em movimento que, segundo a pasta, precede a segunda fase da operação, prometida para esta semana. A presença militar, porém, não impediu novos crimes, como o assassinato de um PM aposentado e o ataque de traficantes a uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Na nova etapa, segundo o ministro Raul Jungmann, os 8,5 mil militares vão atuar em ações específicas de inteligência, com as Polícias Civil e Militar. Os primeiros dias da operação, diz ele, serviram para que as tropas, em uma ação mais ostensiva, fizessem reconhecimento em áreas críticas do Estado. Isso incluiu operações de guarda em vias e praças - com o uso de carros blindados e soldados com fuzis - e a realização de blitze para checagem de veículos. As ações foram interrompidas durante a madrugada, quando os militares deixaram as ruas para descansar. Não foram registrados incidentes.

Jungmann afirmou que houve queda nos registros de crime nesse fim de semana, mas não detalhou os dados. O Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão oficial responsável por mapear esses indicadores, porém, não confirmou e disse que é preciso tempo para reunir os dados. Mais tarde, Jungmann atribuiu a informação ao briefing que teria sido feito pela Polícia Civil, de manhã, no Comando Militar do Leste (CML)

GOVERNO TENTA BARRAR DENÚNCIA CONTRA TEMER

Arte/CB/DA Press


Dois dias antes da votação decisiva em que Michel Temer poderá se tornar o primeiro presidente em exercício réu na Justiça, o peemedebista buscou demonstrar tranquilidade aos interlocutores. Amanhã, o plenário da Câmara dos Deputados apreciará a denúncia de corrupção passiva feita contra Temer pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Analistas e fontes próximas ao governo acreditam que haverá quórum para que a votação seja realizada e que o processo será barrado pelos parlamentares.

O deputado federal Danilo Forte (PSB-CE), após reunião no Planalto, contou que o presidente estava “muito tranquilo”. Segundo o parlamentar, o governo tem pressa e quer virar logo essa página. “Temer quer começar um novo momento do governo na quinta-feira e pretende deixar um legado com as medidas reformistas, e, assim que barrar a denúncia, vai encaminhar a proposta da modernização tributária”, disse.

Mas, para virar essa página, é preciso um quórum de 342 dos 513 parlamentares da Câmara para abrir a sessão para a votação amanhã. E essa é a grande barreira enfrentada pelo peemedebista. Fontes palacianas evitam falar oficialmente em números e não comentam sobre as divisões dentro do PMDB e do PSDB. Pelas estimativas de parlamentares governistas, Temer conseguiu reunir 250 votos favoráveis ao relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que é pela rejeição da denúncia da PGR e contra o afastamento do presidente. Esse número é suficiente para evitar que o processo seja enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas não garante a votaçãovv