domingo, 24 de novembro de 2013

CASO PSDB: MINISTRO DIZ QUE CUMPRIU A LEI.

Ministro da Justiça diz cumprir a lei em caso de denúncia contra PSDB
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, respondeu à acusação do PSDB de que seguiu critérios políticos quando encaminhou uma denúncia contra membros do DEM e do PMDB para a Polícia Federal. "Qual é o papel do ministro da Justiça? É mandar apurar, com sigilo. Se não faço isso, prevarico", defendeu, em entrevista à Folha. Cardozo contou ter recebido o documento das mãos do deputado estadual licenciado e secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, Simão Pedro (PT), em sua casa. O ministro também afirma ter enviado a denúncia ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Por outro lado, documentos assinados por dois delegados da PF relatam que a corporação recebeu a denúncia por meio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para o ministro, a versão da PF "foi um equívoco”. O documento com a acusação, cuja autoria é atribuída ao ex-diretor da Siemens, Everton Rheinheimer, diz que Edson Aparecido, principal secretário do governador Geraldo Alckmin (PSDB), recebeu propina do lobista Arthur Teixeira, indiciado pela PF sobre suspeita de ter intermediado o pagamento de comissões em contratos do Metrô e da CPTM. Segundo a denúncia, o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) também recebia suborno. Ambos negam a acusação. O ex-diretor da Siemens também refuta a autoria do documento

SENADORES QUESTIONAM AUMENTO DE PASSAGENS AÉREAS

Senadores cobram explicação sobre aumento de preços de passagens aéreas
Em alguns períodos do ano, principalmente na chamada alta temporada de férias, o preço de passagens aéreas costuma aumentar de maneira excessiva. A questão será debatida por senadores, diretores de companhias aéreas e representantes do governo em audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) agendada para terça-feira (26). Foram convidados para a audiência o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Pacheco dos Guaranys, o diretor de Assuntos Regulatórios da TAM, Basílio Dias, o diretor de Relações Institucionais da GOL, Alberto Fajerman, e o diretor de Relações Institucionais da Azul, Victor Celestino. Também vão participar dos debates o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Flávio Dino; o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz; e o secretário-executivo da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, Guilherme Ramalho. A reunião da CAE tem início previsto para as 11h30, na sala 19 da Ala Senador Alexandre Costa.

sábado, 23 de novembro de 2013

MINISTRO ZÉ EDUARDO SAI DOS TRILHOS.

SILÊNCIO REVELADOR - O ministro Cardozo ficou dias deixando prosperar versões contraditórias antes de admitir que repassou o texto à PF
SILÊNCIO REVELADOR - O ministro Cardozo ficou dias deixando prosperar versões contraditórias antes de admitir que repassou o texto à PF      (Diego Vara/RBS/Ag. O Globo)
Um documento revelado na semana passada pelo jornal O Estado de S. Paulo apontou a suposta participação de políticos graduados de PSDB, DEM e PPS na formação de um cartel em licitações de metrô e trens no estado. As acusações constavam de um texto atribuído pelo jornal a Everton Rheinheimer, um ex-diretor da empresa Siemens, multinacional alemã responsável por denunciar a existência do cartel. O destinatário do documento era desconhecido e seu percurso também permaneceu nebuloso até sexta-feira. Na versão inicial, divulgada pela Polícia Federal, o texto atribuído ao ex-diretor da multinacional havia sido endereçado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Como o órgão tem por atribuição investigar cartéis e não corrupção, ele teria sido repassado à PF. Estaria, assim, percorrendo um caminho institucional. Na quinta-feira, porém, o Cade desmentiu a Polícia Federal. Em nota, o órgão negou que houvesse recebido o documento com as denúncias e que o tivesse repassado aos policiais. No dia seguinte, a versão da PF ruiu de vez. VEJA apurou que o texto que traz acusações aos tucanos foi passado diretamente das mãos do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), para o diretor-geral da PF, Leandro Daiello. A informação foi publicada em primeira mão em VEJA.com. Em resposta, o ministro Cardozo alegou que costuma receber muitas denúncias e dar andamento a elas. Só não explicou por que ficou três dias em silêncio enquanto se discutia a origem do documento e só admitiu ter sido ele quem entregou o papel à Polícia Federal depois de questionado pela reportagem da revista.
Embora não revele seu destinatário, o texto dá pistas de quem seja ele. Em determinado trecho, seu autor afirma que “em meados de 2010, com base nas informações e nos documentos fornecidos por mim, o deputado Simão Pedro (PT-SP) encaminhou ao MP-SP uma representação denunciando a existência das práticas de formação de cartel e de corrupção em diversos projetos metroferroviários no Estado de São Paulo e no Distrito Federal durante o período 1998-2012”. Em outro trecho, o autor diz que será alvo de pressão das empresas e que “gostaria de contar com o apoio do partido para poder resistir ao assédio”. Mais adiante, explicita o “apoio”: “O acordo que proponho a seguir não tem nenhum risco, mas envolve minha indicação para uma dir­etoria executiva da Vale (do Rio Doce) a médio prazo”. Como se sabe, o Cade, a PF e o Ministério Público não têm o poder de fazer nomeações para a mineradora. Isso é uma prerrogativa dos que detêm ações da empresa ou têm influência sobre as suas decisões. É o caso do governo federal e também do PT, que controla fundos de pensão como a Previ e a Petros, alguns dos principais acionistas da ex-estatal. Diante disso, restam poucas dúvidas sobre a que partido Rheinheimer se refere ao pedir “apoio para poder resistir ao assédio”.
A FARSA - Documento que a PF disse ter saído do Cade, mas que foi entregue pelo ministro da Justiça aos investigadores; parte das informações já tinham sido usadas pelo deputado petista Simão Pedro (abaixo) em representação contra o governo do PSDB de São Paulo
 

No documento — cuja autoria o e­­x-diretor da Siemens não confirma, mas também não nega — são acusados de envolvimento com o cartel do metrô os secretários da Casa Civil, Edson Aparecido (PSDB), dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes (PSDB), de Energia, José Aníbal (PSDB), e do Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia (DEM), além do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e do deputado Arnaldo Jardim (PPS). Nunes Ferreira, Garcia e Fernandes teriam “estreito relacionamento” com o lobista Arthur Teixeira, apontado como o pagador de propinas do esquema. De Aníbal, o documento diz que o cartel “tratava diretamente com seu assessor, vice-prefeito de Mairiporã, Silvio Ranciaro”. E sobre Aparecido e Jardim afirma que “seus nomes foram mencionados por Teixeira como sendo destinatários de parte da comissão paga pelas empresas” do cartel. Todos os citados negam as acusações.

A origem das denúncias e o uso político que se queira fazer delas não significam automaticamente que não tenham fundamento. As investigações feitas até agora mostram que há evidências de que mais de uma dezena de empresas se juntaram para acertar o resultado de licitações, acarretando prejuízos milionários para os cofres de São Paulo e do Distrito Federal. O que é inaceitável, porém, é que um ministro da Justiça se preste ao papel de “esquentador” de documentos — nesse caso, de um relatório que foi oferecido primeiramente a um partido em troca de vantagem financeira explícita. Teria Cardozo aloprado?

INVESTIGADO CHEFE DE GABINETE DE MANTEGA

O Ministério da Fazenda apura denúncia de que o chefe de gabinete de Guido Mantega viajou a trabalho para o Rio de Janeiro, mas não participou das reuniões previstas na autorização da viagem.
Com custo total de R$ 2,7 mil em passagens e diárias pagos pelos cofres públicos, a viagem de Marcelo Estrela Fiche foi autorizada para ele "participar de reunião com o pessoal da corregedoria no gabinete do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro e reuniões internas", de acordo com o Portal da Transparência do governo federal. 
"Foi encaminhada uma denúncia anônima nos termos mencionados pela jornalista e que, como é procedimento padrão, já foi encaminhada para apuração", informou a Fazenda, em resposta ao questionamento da Folha sobre a denúncia de que o servidor não havia participado de nenhuma reunião, apesar de ter recebido diárias e passagens para trabalhar no Rio.
Ainda de acordo com a Fazenda, "os registros do sistema de concessão de diárias e passagens (SCDP) informam que o chefe de gabinete, Marcelo Fiche, esteve no Rio de Janeiro nos dias 12 e 13 de setembro para participar de reuniões de trabalho".
Fiche, que está em férias, é alvo de outra investigação conduzida pelo Ministério da Fazenda e também pela Polícia Federal para apurar a denúncia de que ele e um outro servidor do ministério receberam propina paga por uma empresa que mantém contrato com a pasta. Fiche nega as acusações.
OUTRO LADO
Sobre a viagem, Fiche afirmou que esteve no Rio a trabalho no gabinete --que também está sob a sua responsabilidade-- e detalhou sua própria agenda nos dias 12 e 13 de setembro.
"Na quinta-feira, me encontrei com servidores do ministério, no gabinete da Fazenda no Rio, para avaliar onde seria alocada a equipe da Corregedoria".
E continua: "Na sexta-feira estive, às 10h da manhã, com o sr. Bruno Sobral, diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar, e, mais tarde, já no gabinete do ministério no Rio de Janeiro, tive reuniões com o senhor superintendente de Administração do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro (SAMF/RJ) e visitamos algumas instalações do gabinete e do prédio do Ministério da Fazenda para discutirmos as adaptações necessárias para alocação do pessoal da Corregedoria", informou, por meio de nota.
Segundo Fiche, toda a prestação de contas está oficializada em um relatório de viagem. Ele informou ainda que optou por viajar numa quinta-feira porque o ministro havia viajado para São Paulo, "possibilitando assim o meu deslocamento".
Fiche pediu a remarcação do retorno que estava previsto para o início da tarde de sexta-feira e, segundo ele, arcou com os custos adicionais.
Segundo o Ministério da Fazenda, qualquer denúncia contra servidores, anônimas ou não, é averiguada.
A Controladoria-Geral da República informou que abriu um processo para acompanhar a distância e indicou um servidor para compor a comissão de sindicância da Fazenda que apura a outra denúncia, a de pagamento de propina

QUEBRADO O SIGILO BANCÁRIO DA PRIMEIRA DAMA DO GDF

A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a quebra dos sigilos fiscal e bancário da mulher e de um irmão do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

O pedido foi feito dentro do inquérito aberto no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para apurar se a primeira-dama, Ilza Queiroz, e Ailton Queiroz (o irmão) estão envolvidos em crime de lavagem de dinheiro com transação de imóveis com o governador do Distrito Federal.

Agnelo é alvo de inquéritos na Justiça para investigar sua atuação como ministro do Esporte e como diretor na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. E ainda suas eventuais ligações com o grupo do empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar ilegalmente jogos de azar.

Quando a CPI do Cachoeira quebrou o sigilo de Agnelo, descobriu que 80% do patrimônio que ele declarou à Justiça Eleitoral em 2010 estava em nome da mulher.

No inquérito aberto para investigar os familiares, a procuradoria pede a quebra dos sigilos bancários e fiscal dos dois, em razão da "necessidade de se aprofundar nas investigações que envolvem a suspeita de acréscimo patrimonial de familiares do governador, obtido com dinheiro de origem ilícita recebida por Agnelo Queiroz".

A procuradoria suspeita ainda de triangulações financeiras e de um imóvel que não foi declarado por Agnelo, comprado em 2007 no valor de R$ 128.888,57. Naquele ano, diz o relatório de inteligência, a movimentação financeira das contas bancárias de Agnelo correspondeu a 8,47 vezes seus rendimentos líquidos.

O relatório menciona ainda que Agnelo recebeu R$ 84,6 mil de seu irmão e de sua mulher na véspera de uma transferência de R$ 150 mil para uma conta desconhecida --as datas, nesse caso, não são citadas.

"O presente inquérito foi instaurado para apurar a prática do crime de lavagem de dinheiro decorrente de acréscimo patrimonial", diz o pedido levado ao STJ.
As quebras de sigilo dos familiares de Agnelo foram solicitadas pela procuradoria em setembro e ainda não houve decisão.

Segundo a procuradoria, as quebras são "imprescindíveis para continuar investigando se os acréscimos patrimoniais de Ilza Queiroz e Ailton Queiroz possuem relação com o suposto desvio de recursos públicos por parte de Agnelo".

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), ao lado da mulher, Ilza Maria, durante cerimônia de posse
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), ao lado de sua mulher, Ilza Maria, durante a cerimônia de posse no cargo

OUTRO LADO

A secretaria de Comunicação do governo do Distrito Federal afirmou que as respostas sobre o caso caberiam ao advogado de Agnelo Queiroz, Luis Carlos Alcoforado.

Procurado, Alcoforado disse que o inquérito é sigiloso.

"É preciso aguardar [a investigação]. É delicado falar sobre o que está em segredo de justiça", afirmou ele.

Questionado sobre as suspeitas da procuradoria, Alcoforado afirmou que as "premissas carecem de sustentação".

À época da CPI, a assessoria de Agnelo havia dito que o patrimônio da família é compatível com a renda do casal, e que havia sido uma "escolha pessoal" colocar os bens em nome da mulher.

TESOUREITO DO PSDB ESCAPA DO MENSALÃO.

Uma das figuras centrais do caso do mensalão tucano deverá ser o segundo réu a se beneficiar da prescrição das acusações. O tesoureiro da campanha do PSDB ao governo de Minas Gerais em 1998, Cláudio Mourão, fará 70 anos em abril e poderá requerer a prescrição das acusações de peculato (desvio de recursos públicos) e lavagem de dinheiro.
Pelo mesmo motivo, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia ganhou esse direito e pediu sua exclusão do rol dos 13 réus do processo em Minas. 
O prazo de prescrição para esses crimes é de 16 anos, mas cai pela metade quando o réu atinge 70 anos. O cálculo é feito da ocorrência do fato (1998) à aceitação da acusação (2010). Portanto, 12 anos se passaram --mais do que o prazo que passa a valer em abril para Mourão.
O mensalão tucano veio à tona no rastro da apuração do mensalão do PT, em 2005. A dinâmica e o envolvimento do empresário Marcos Valério de Souza ligam os dois casos.
O processo foi desmembrado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Réus sem foro especial respondem na Justiça mineira. Já o deputado e ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) e o senador Clésio Andrade (PMDB), no STF.
A denúncia diz que, sob forma de patrocínio de eventos esportivos, R$ 3,5 milhões foram desviados do banco estatal Bemge e das empresas públicas Comig e Copasa e depois usados na campanha pela reeleição Azeredo. Os réus negam todas as acusações.
Clésio era candidato a vice, e Mares Guia, vice-governador. Mourão foi secretário de Administração. Outros réus exerciam cargos no Executivo ou nas empresas públicas.
Também foram denunciados Valério e seus sócios na agência SMPB, Cristiano Paz e Ramon Rollerbach, todos condenados no caso do PT.
A SMPB teria simulado empréstimos no Banco Rural para dar aparência lícita ao dinheiro, sustentou o relator do caso no STF à época, Joaquim Barbosa: "[Há] inúmeras semelhanças com o denominado 'mensalão', tendo sido considerado [...] embrião dos episódios em 2003 e 2004".
Barbosa acusou advogados de manobrar para protelar o caso. Em 2008, por exemplo, a defesa de Valério pediu que fosse julgado em Minas, alegando que só Azeredo tinha foro privilegiado. Em 2011, conseguiu que o processo subisse ao STF --e Barbosa mandou voltar para Minas.
O Ministério Público prevê o julgamento da ação em Minas em 2015. O STF deverá julgar Azeredo e Clésio em 2014.
Para o promotor responsável pelo processo em Minas, João Medeiros, não há demora. "Esse processo está andando em um ritmo bem razoável. São muitos réus e quase cem testemunhas."
Segundo ele, a juíza do caso tem audiências diárias, e a primeira instância da Justiça não pode atuar somente neste caso.
OUTRO LADO
Os réus do processo do mensalão tucano negam todas as acusações.
O deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG) diz que não se envolvia com as finanças de sua campanha ao governo em 1998 e que não ordenou que estatais patrocinassem eventos de esporte.
O ex-ministro Walfrido dos Mares Guia nega que tenha atuado na campanha de Azeredo. Afirma que à época ele cuidava da sua candidatura a deputado federal.
Há um ano, quando as acusações contra Walfrido prescreveram, o advogado Arnaldo Malheiros Filho disse que seu cliente preferia continuar no processo para provar sua inocência. "Mas não adianta não querer", disse.
O advogado do ex-tesoureiro Cláudio Mourão vai na mesma linha. Diz que seu cliente quer "que seja decretada sua inocência", mas diz que a prescrição é inexorável.
"Ele nada mais fez do que coordenar uma campanha, não participou de arrecadação de recursos", afirmou Antonio Velloso Neto.
O senador Clésio Andrade (PMDB) afirma que, embora candidato a vice de Azeredo, não integrava o governo, não ordenava despesas e não tinha atuação na campanha.
No núcleo publicitário, as defesas de Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Rollerbach dizem que os valores repassados à SMPB foram empregados em eventos esportivos tradicionais no Estado.
Valério diz ainda que os empréstimos tomados foram empregados na campanha