domingo, 26 de julho de 2015

EXECUTIVO DA ODEBRECHT AMEAÇA CONTAR TUDO SOBRE LULA NA OPERAÇÃO LAVA JATO


Capa VEJA - Edição 2436
(VEJA.com/VEJA)
Léo e Lula são bons amigos. Mais do que por amizade, eles se uniram por interesses comuns. Léo era operador da empreiteira OAS em Brasília. Lula era presidente do Brasil e operado pela OAS. Na linguagem dos arranjos de poder baseados na troca de favores, operar significa, em bom português, comprar. Agora operador e operado enfrentam circunstâncias amargas. O operador esteve há até pouco tempo preso em uma penitenciária em Curitiba. Em prisão domiciliar, continua enterrado até o pescoço em suspeitas de crimes que podem levá-lo a cumprir pena de dezenas de anos de reclusão. O operado está assustado, mas em liberdade. Em breve, Léo, o operador, vai relatar ao Ministério Público Federal os detalhes de sua simbiótica convivência com Lula, o operado. Agora o ganho de um significará a ruína do outro. Léo quer se valer da lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff, a delação premiada, para reduzir drasticamente sua pena em troca de informações sobre a participação de Lula no petrolão, o gigantesco esquema de corrupção armado na Petrobras para financiar o PT e outros partidos da base aliada do governo.
Por meio do mecanismo das delações premiadas de donos e altos executivos de empreiteiras, os procuradores já obtiveram indícios que podem levar à condenação de dois ex-ministros da era lulista, Antonio Palocci e José Dirceu. Delatores premiados relataram operações que põem em dúvida até mesmo a santidade dos recursos doados às campanhas presidenciais de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e à de Lula em 2006. As informações prestadas permitiram a procuradores e delegados desenhar com precisão inédita na história judicial brasileira o funcionamento do esquema de sangria de dinheiro da Petrobras com o objetivo de financiar a manutenção do grupo político petista no poder.
É nessa teia finamente tecida pelos procuradores da Operação Lava-Jato que Léo e Lula se encontram. Amigo e confidente de Lula, o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro autorizou seus advogados a negociar com o Ministério Público Federal um acordo de colaboração. As conversas estão em curso e o cardápio sobre a mesa. Com medo de voltar à cadeia, depois de passar seis meses preso em Curitiba, Pinheiro prometeu fornecer provas de que Lula patrocinou o esquema de corrupção na Petrobras, exatamente como afirmara o doleiro Alberto Youssef em depoimento no ano passado. O executivo da OAS se dispôs a explicar como o ex-presidente se beneficiou fartamente da farra do dinheiro público roubado da Petrobras.

AMIGO DE LULA É AMEAÇADO POR CARCEREIRO NA PRISÃO

Léo Pinheiro, diretor afastado da OAS
Léo Pinheiro, diretor afastado da OAS(Beto Barata/Estadão Conteúdo)
Em abril, VEJA revelou que o ex-presidente da OAS, quando estava preso, já examinava a possibilidade de se tornar delator na Operação Lava-Jato e, atrás das grades, anotava em um pedaço de papel histórias que poderiam ser contadas sobre suas relações com Lula e o poder. Dias depois, Pinheiro foi procurado por um carcereiro em sua cela no Complexo Médico-Penal do Paraná. Enquanto recebia a bandeja com a comida, Léo Pinheiro entendeu que o agente disse que seria melhor ele passar a dormir de olhos abertos. Conselho ou ameaça, o que se sabe é que a frase do carcereiro assustou bastante o preso.
Libertado da prisão preventiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Léo Pinheiro contou esse episódio a familiares durante uma discussão sobre a conveniência de fechar o acordo de delação premiada. A família o estimulou a fa­zê-lo. Os fatos também. Defendido por três renomadas bancas de advogados em Brasília, São Paulo e Curitiba, Pinheiro viu naufragar todas as estratégias jurídicas empregadas por seus defensores para livrá-lo da Lava-Jato. O impacto da delação premiada nas sentenças aplicadas até aqui também serviu de motivação. Na semana passada, na primeira condenação de executivos de grandes empreiteiras, Dalton Avancini e Eduardo Leite, da Camargo Corrêa, receberam uma pena de quinze anos de prisão, mas, em razão do acordo de colaboração, ficarão poucos meses em prisão domiciliar e, logo depois, passarão ao regime aberto, sendo obrigados a permanecer em casa apenas à noite e nos fins de semana. O outro executivo da Camargo Corrêa condenado, João Ricardo Auler, que não fez delação premiada, foi condenado a nove anos e seis meses de prisão em regime fechado.

DILMA GRAVA PROGRAMA DO PT NA TELEVISÃO

A presidente Dilma Rousseff gravou neste sábado cenas para o programa de TV do PT que irá ao ar em 6 de agosto, dez dias antes das manifestações de rua previstas contra o governo. Dirigida pelo marqueteiro João Santana, a propaganda tentará mostrar que, apesar da crise, o Brasil de hoje é um país melhor do que há 13 anos, quando era governado pelo PSDB.
O contraponto com o PSDB, no entanto, será feito de forma sutil. Ao contrário do que ocorreu na campanha eleitoral, os petistas não pretendem mais investir na estratégia do "nós contra eles", mesmo porque, atualmente, ensaiam uma aproximação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na tentativa de barrar articulações pelo impeachment de Dilma.
Dirigentes do PT dizem que o programa não vai ignorar a crise política e econômica, mas mostrará que no passado tudo era pior. Em sua mensagem, Dilma afirmará que o País está pronto para voltar a crescer e superar as dificuldades. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que gravou seu depoimento na segunda-feira também vai defender o partido e o governo. A Operação Lava Jato da Polícia Federal, que desvendou um esquema de corrupção na Petrobras, não terá destaque no programa, que será apresentado pelo ator José de Abreu

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MICHEL TEMER NEGA ESTAR CONTRA O PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

 Antonio Cruz/Agência Brasil.


O vice-presidente Michel Temer (PMDB) usou as redes sociais neste sábado para demonstrar apoio ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e reforçar que defende o correligionário. "Não participo de movimento contra o presidente da Câmara", escreveu. "As relações entre governo, Câmara dos Deputados e PMDB devem ser institucionais, tendo em vista os interesses do país", completou. Logo após a publicação de Temer, Cunha retuitou o post do presidente do PMDB.
A sinalização de Temer de apoio a Cunha acontece depois de o Blog do Fernando Rodrigues publicar que o comando do PMDB e o Palácio do Planalto já teriam iniciado o debate para uma substituição de Cunha, caso ele venha a ser denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Cunha foi acusado pelo lobista Julio Camargo, em delação premiada no âmbito da Operação lava Jato, de pedir US$ 5 milhões em propina para que um contrato de navios-sonda da Petrobras fosse viabilizado

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SENADOR ROMÁRIO DIZ DESCONHECER CONTA SUA NA SUIÇA

O Senador Romário Farias (PSB) divulgou na tarde deste sábado (25/7) uma nota de esclarecimento em que disse desconhecer a informação de que teria uma conta não declarada com R$ 2,1 milhões de francos em um banco suíço. De acordo com a revista Veja, o Ministério Público Federal teve acesso a um extrato da conta aberta no banco BSI no nome de Romário. A quantia é equivalente a R$ 7,5 milhões e seria fruto de rendimentos de uma aplicação financeira feita em dezembro de 2013.

O valor não consta na declaração de bens fornecida à Justiça Eleitoral quando Romário concorreu ao Senado, em 2014. "O que há de estranho nisso é a informação de que a aplicação seria de 2013, certeza que eu não fiz nenhuma aplicação no período recente. Também não recebi nenhuma notificação do Ministério Público a respeito", declarou o político.

Romário ainda brincou com a possível existência da conta. "Espero que seja verdade. Como trabalhei em muitos clubes fora do Brasil, é possível que tenha sobrado algum rendimento que chegou a esta quantia. Estou me sentindo um ganhador da Mega Sena, só que do meu próprio honesto e suado dinheiro. Continuarei presidente da CPI do Futebol e imbuído de vontade moralizar o futebol brasileiro", disse.

Ainda não há informações sobre a origem do dinheiro. Apesar de abertura de contas no exterior ser permitida, os brasileiros com mais de 100 mil dólares fora do país devem prestar informações à Receita Federal, que cobrará impostos. O Ministério Público Federal não havia se pronunciado sobre o caso até 12h30 deste sábado, 25.

Em sua página no Facebook, Romário diz que a matéria da revista não traz uma fonte identificada das acusações e que nas eleições do ano passado, a Veja também tentou publicar matéria semelhante "com claras motivações políticas".

"Não é de suspeitar que uma semana depois de eu despontar com alto índice de intenções de votos para a prefeitura do Rio, a publicação tenha sido resgatada com este fato novo da conta na Suíça...Espero que, pelo menos, a conta seja verdade. Porque dinheiro honesto, ganho com muito suor, não faz mal a ninguém. Bom lembrar que problemas financeiros todo mundo tem e os meus sempre foram com recursos privados, nunca nada com R$ 1 de dinheiro público. Ademais, podem atacar, mas eu continuarei presidente da CPI do Futebol e imbuído de vontade moralizar o futebol brasileiro", diz Romário no post, reiterando que nada vai tirar o foco de seu futuro político e que irá acionar os repórteres que fizeram a matéria na Justiça

PEDRO SIMON DEFENDE PACTO NACIONAL CONTRA A CRISE

 Monique Renne/CB/D.A Press - 1/2/13

Pedro Simon pode até estar sem mandato, mas a argúcia de quem tem 60 anos de vida pública faz com que esse gaúcho ainda seja um analista precioso do atual momento vivido pelo país. Ele está preocupado. “Estamos vivendo uma experiência que ainda não tínhamos vivido. É mais difícil do que o período vivido no auge da ditadura”, afirmou, acrescentando que, durante o regime militar, as oposições sabiam o que fazer: lutar pela democracia. “Tem um Congresso funcionando, tem um presidente eleito. Mas nós não sabemos o que fazer”.
Simon afirmou, em entrevista exclusiva ao Correio, que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, perdeu uma oportunidade política ao desistir de implementar uma agenda de reformas na Câmara e optar por fazer as coisas de seu interesse pessoal. “Foi um erro infeliz dele, um erro dramático. Podia fazer uma grande jogada e cometeu uma tolice. Agora, resolveu romper (com a Dilma).”
O ex-senador acredita que o Judiciário vive uma fase épica e elogia o juiz Sérgio Moro. “Ele é uma das figuras mais extraordinárias que apareceram neste século 21 no Brasil”. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:
Após tanto tempo de vida política, qual a avaliação da atual crise?
Nós já tivemos todo tipo de crise, mas estamos vivendo uma experiência que ainda não tínhamos vivido. É uma situação complexa, com várias origens, vários focos. É mais difícil do que o período vivido no auge da ditadura