quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

INQUÉRITO DOS PORTOS POUPA MICHEL TEMER

Fátima Meira/Futura Press
Fátima Meira/Futura Press
RUBENS VALENTE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Passados quatro meses da abertura do inquérito sobre um decreto do setor portuário, os sigilos bancário, telefônico e fiscal do presidente Michel Temer, de amigos e empresários foram preservados pelos investigadores —no caso, a Procuradoria Geral da República e a PF (Polícia Federal).
Na última sexta-feira (9), em entrevista à agência Reuters, o diretor-geral da PF, Fernando Segovia, criticou a qualidade das provas obtidas e indicou que o inquérito poderá ser arquivado.
A consulta aos autos, porém, revela que uma série de medidas não foram tomadas pela PGR e pela PF.
A investigação, que procura saber se Temer recebeu vantagem indevida das empresas da área, se concentrou até agora em aspectos formais, como depoimentos de dez investigados —incluindo Temer— que negam qualquer irregularidade na edição do decreto.
O inquérito foi aberto a partir da delação da JBS. Em telefonemas, o ex-assessor presidencial Rodrigo Loures conversou com membros do governo e parlamentares sobre o decreto. Ele queria incluir no texto um grupo de portos que tinham recebido concessões e arrendamentos antes de uma lei de 1993.
No decreto, de maio de 2017, o grupo acabou excluído —um dos pontos usados pela defesa de Temer para pedir arquivamento do caso.
Tanto a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, quanto o delegado da PF que preside o inquérito, Cleyber Malta Lopes, não demonstraram interesse em pedir ao ministro relator no STF, Luís Roberto Barroso, acesso à movimentação bancária do presidente para ver se há ou houve alguma relação com empresas do setor portuário.

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