sexta-feira, 17 de maio de 2013

NA ARGENTINA LULA ATACA A IMPRENSA.



BUENOS AIRES - Em meio a fortes rumores sobre uma eventual intervenção estatal do grupo de meios de comunicação Clarín, o mais importante da Argentina, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva solidarizou-se com a presidente Cristina Kirchner em seu primeiro dia de visita ao país nesta quinta-feira, e aproveitou para atacar a imprensa brasileira e defender publicamente as posições da Casa Rosada. Durante um discurso na inauguração da primeira universidade sindical da América Latina, Lula assegurou que "às vezes tenho a impressão de que a imprensa está exilada dentro de meu pais".
— Quando nós os criticamos (aos meios de comunicação) eles dizem que estão sendo atacados. Quando nos atacam, falam em democracia — declarou Lula, aplaudido de pé várias vezes pela plateia de sindicalistas, congressistas, ministros e funcionários do governo kirchnerista.
Ao seu lado estava o vice-presidente, Amado Boudou, protagonista de um dos maiores escândalos de corrupção da era K, que há mais de um ano e meio está sendo investigado pelos tribunais locais. Em momentos em que a Casa Rosada enfrenta gravíssimas denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo funcionários como Boudou, a própria família presidencial (acusada de enriquecimento ilícito) e empresários vinculados aos Kirchner, o ex-presidente defendeu enfaticamente a gestão de Cristina e de seu marido e antecessor, Néstor Kirchner (2003-2007), acusado pela oposição de ter liderado uma associação ilícita. As denúncias estão em poder dos tribunais locais, que avançam apesar das fortes pressões do Executivo argentino à Justiça.
— Que venham todos os jornais, canais de TV... quem quiser! Que não poderão negar o apoio que esse governo (da Dilma) tem —enfatizou o presidente, que deu a Cristina de presente o livro "Lula e Dilma" e sugeriu à presidente argentina que "não deixe que seus adversários escrevam a História do que vocês fizeram pela Argentina". Cristina prometeu seguir o conselho, mas disse que o livro se chamará "A década ganha" (no próximo dia 25 de maio os Kirchner completam dez anos de poder).
— Você (Lula) foi mais corajoso. Se o livro se intitulasse "Néstor e Cristina" aqui nos matariam — brincou a chefe de Estado argentina.
Lula disse que governos como o seu, o da presidente Dilma Rousseff, os dos Kirchner e Hugo Chávez na Venezuela representaram uma mudança histórica para a região. Em em meio à crise de legitimidade do governo de Nicolás Maduro, sucessor de Chávez, o ex-presidente afirmou que "ampliar direitos outorga legitimidade a qualquer governo democrático". Emocionado, o ex-presidente lamentou que Chávez e Kirchner tenham morrido, mas afirmou que "pessoas que fizeram o que eles fizeram poderão morrer, mas suas ideais estão perambulando pela América Latina


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